Ficha Técnica

Diretor: Richard Kelly
Roteiro: Richard Kelly, baseado em conto de Richard Matheson
Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, Andria Blackman, Gillian Jacobs, James Rebhorn
Fotografia: Steven B. Poster
Trilha Sonora: Win Butler, Régine Chassagne, Owen Pallett
Produção: Richard Kelly, Dan Lin, Kelly McKittrick, Sean McKittrick
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Darko Entertainment, Lin Pictures, Media Rights Capital, Radar Pictures
Duração: 115 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2009
COTAÇÃO: FRACO

A opinião

Baseado no conto ‘Botão, Botão’, de Richard Matheson, publicada na revista Playboy, em 1970. Em 1986, a história foi exibida no seriado Além da Imaginação. A nova versão do diretor Richard Kelly apresenta-se como ficcão científica, criando uma atmosfera David Lynch com Stanley Kubrick e Artur C. Clarke, com sua “magia e realidade”.

Um memorando explicativo de uma máquina de escrever detalha o início do filme, que contempla a narrativa defendida. Virgínia 1976. Nasa, magia e ciência. “Olhe para luz, só assim deixará de ser cego”, diz-se com a imagens grandiosas de grande angular, secas, surreais e solitárias. A alienação e o hipnotismo usam-se como crítica a massificação do mundo moderno. Há a danação eterna, raios e a comunicação entre eles.

A fotografia é muito interessante quando representa o contraste da luz entre o escuro e o claro. A camera é simétrica e acompanha os movimentos dos seus personagens. Os diálogos, inferindo uma peça de teatro ao vivo e filmado, são artificiais como a demonstração de uma família perfeita. A esposa, uma professora com seu existencialismo de Sartre. O marido “Sempre terá Marte”.

Aborda a vida de Norma (Cameron Diaz) e Arthur Lewis (James Marsden). Eles formam um casal que mora com seu filho pequeno num bairro suburbano norte-americano. Eles recebem de presente uma pequena caixa de madeira que, aparentemente inofensiva, acaba trazendo consequências trágicas. Um homem desconhecido explica a eles o que a pequena caixa faz: se o dono apertar o botão que está em cima dela, ganha US$ 1 milhão. No entanto, como consequência, uma pessoa do outro lado do mundo morrerá por conta dessa escolha, alguém que eles não conhecem. Tendo a caixa em mãos por 24 horas, eles devem resolver o que fazer. “O que significa conhecer?”, diz-se quando tudo pode ser real ou imaginário. “Ouça a sua consciência”, complementa-se.

O mistério da caixa começa. “Não deixe que minha aparência a assuste. Só estou aqui para fazer o meu trabalho”, diz-se. Com inúmeras reviravoltas, algumas quase infantis, o longa deixa claro que a técnica é mais importante que a própria profundidade e o próprio convencimento dos diálogos, transformando-os em óbvios demais. Os relacionamentos pessoais são contidos e ou diretos. A dicotomia entre o limite de se contar uma trama é visivelmente perdida. As informações são despejadas sem nenhuma atenção específica, atrapalhando o ‘mergulho’ de quem está assistindo.

Os sentimentos de tensão e de angústia perseguem o espectador até o final, que são projetados na caixa e em sua escolha. Os questionamentos sobre os limites da ética, das ambições e das convicções trazem à tona o que cada um esconde por ainda não ter tido a oportunidade. A morte de um, o dinheiro sem impostos para uma vida um pouco melhor. A decisão em 24 horas desperta o nervosismo e a irracionalidade, permitindo que a vulnerabilidade instaure-se no momento de agir.”Essa oferta é real”, diz-se aniquilando a chance de uma salvação e expurgando, quase uma regurgitofagia, o lado mais sómbrio, egoísta, mórbido e indiferente com os outros da alma humana. “Por que precisamos de um milhão de dólares para sermos felizes? -Não é isso, é pela segurança da nossa família”, dialoga-se.

“Uma coisa boa requer outra”, diz-se. A história é manipulada em uma rede de conspiração, como se todos estivessem envolvidos. A estranheza, a superficialidade e as interpretações previsíveis atingem graus de pretensão.

A dúvida permanece quando a caixa for apresentada a outra pessoa. Podendo eles ser as vítimas potenciais de outro alguém. A caixa representa tudo. Do nascer ao morrer, passando por todos os estágios metafóricos da existência. “Há duas maneiras de passar para a outra vida. Livre ou não livre. A escolha é nossa”, referencia-se Sartre.

A conclusão observada é a que pode-se extrair os questionamentos sobre a ética e como foi contada a história. Outra questão é a expectativa pelo novo filme deste diretor que virou cult em ‘Donnie Darko’. Porém com toda técnica, o filme é óbvio e explicativo demasiadamente, não respeitando a inteligência da pessoa do outro lado da tela, que está sentada na cadeira esperando por uma experiência gratificante que se tornou clichê e amadora. Você apertaria o botão?

O Diretor

James Richard Kelly nasceu em 28 de março de 1975 em Newport, Virginia, se destacou no filme Donnie Darko em 2001 como diretor. Depois que saiu de Virgínia foi para California estudar na escola USC de Cinema e Televisão onde fez duas curtas-metragens.

Filmografia

1996 – The Goodbye Place (curta)
1997 – Visceral Matter (curta)
2001 – Donnie Darko
2007 – Southland Tales
2009 – A Caixa

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