Balanço Geral e Vencedores do Cinefantasy 2022

Balanço Geral e Vencedores do Cinefantasy 2022

Saiba tudo o que aconteceu no Festival Internacional de Cinema Fantástico, que aconteceu de 13 a 18 de Setembro em São Paulo e assista ao vídeo acima com o balanço descontraído de seus curadores

Por Fabricio Duque

Após dois anos em “recesso social”, devido a uma pandemia que fez a ficção de George Orwell se tornar a mais apocalíptica realidade, o Cinefantasy, Festival Internacional de Cinema Fantástico retornou em 2022 ao mundo presencial, exibindo 115 filmes (14 longas-metragens e 92 curtas metragens nas mostras competitivas) e fazendo com que cada um “matasse” a ansiedade da volta. Mas esse retorno ganhou contornos impulsivos quando todos os festivais começaram a acontecer ao mesmo tempo e/ou colados uns nos outros. O Cinefantasy, que aconteceu de 13 a 18 de Setembro, também sofreu com esse “novo normal”. Vamos entender! Para que qualquer evento aconteça, há a necessidade de uma construção temporal. Um caminho a ser seguido a fim de criar “burburinho” do público e de quem fará a cobertura como imprensa. É, o momento atual ainda não encontrou esse equilíbrio. Dessa forma, os festivais geraram possibilidades demais. E segregações demais. Por exemplo, o festival em questão desta matéria precisou dividir atenção com outras pautas, o Festival de Cinema de Vitória, por exemplo, que contou inclusive com a presença ilustre de uma das curadoras daqui, Mônica Trigo, junto à “Santíssima Trindade” da “Tese, antítese e síntese”, Eduardo Santana e Filippo Pitanga. E que se mudarmos a ordem, teremos Eduardo e Mônica (a famosa música da Legião Urbana). Pois é, Cinefantasy trouxe todas as diversidades e inclusões possíveis e imaginárias. Evoé!

E assim, a consequência a estes jornalistas é a de escolher um, apenas um festival.  Até porque esses seres lidam com as limitações das únicas 24 horas em um dia. Se na pandemia, as exibições aconteciam online (e ainda causavam uma enxurrada de opções), agora então, a dificuldade se tornou mais um desafio quando nós precisamos viajar in loco para realizar a cobertura (sim, era assim o “mundo antigo”). É inevitável que alguns festivais sintam mais um “descaso”. Mas acredito que não é por mal e sim porque esse “admirável mundo novo” foge da própria lógica temporal. Quantas vezes ouvimos que “preciso comprar tempo” e/ou “como faz para se clonar?”. Não podemos deixar de pensar também que cada festival representa um “filho sonho” a seus diretores e realizadores. E cada um é importante. 

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Tudo Sobre o Cinefantasy 2022

Tudo Sobre o Cinefantasy 2021

Vencedores do Cinefantasy 2021

O Cinefantasy 2022, que engloba horror, terror e ficção científica, sabe disso, mas como todos os outros festivais (outro exemplo, o Cine Ceará acontecerá no mesmo período do Festival do Rio – pois é, dois pesos-pesados) teve que se adaptar. E entender que “brigava” por espaço, tanto na mídia, quanto por seus espectadores. As assessoras de imprensa Flávia Miranda e Maria Clara Moura, da ProCultura, precisaram “rebolar”, “morder” muita gente e “dar todo o seu sangue” para divulgar tudo desta edição. Para nós do Vertentes do Cinema, o Cinefantasy 2022 representou duas alegrias, a de reencontrar  (e fazer) amigos (confesso que os abraços tiveram uma duração maior) e a de que exatamente no dia 17 de setembro, nosso site completou 13 anos, no mesmo dia da exibição em São Paulo da pré-estreia mundial de “Não Sei Quantas Almas Tenho”, de Patricia Niedermeier e Cavi Borges, apresentado por Lord A e com comemoração na boate Madame, um lugar descolado de “vampiros”. Patrícia ainda homenageou no palco, durante a gala, o Vertentes do Cinema, desejando Vida Longa! Mais treze vezes treze. Número este, muito simbólico em tempos atuais. 

O festival de cinema fantástico também foi bombardeado com polêmicas. Seus curadores/diretores Mônica Trigo, Eduardo Santana e Filippo Pitanga receberam a notícia da prisão de José Dumont, por pedofilia, um dos crimes mais imperdoáveis da História. O ator de “A Hora da Estrela”, com Marcela Cartaxo, era o homenageado desta edição do Cinefantasy. O desconcerto foi total. Filippo Pitanga foi o que mais sentiu e publicou em sua rede social: ”Já é bastante sabido o baque sentido nos últimos dias e a dor provocada por tomarmos ciência de fatos horrendos ao mesmo tempo e de uma só vez. Foi duro e doloroso, ainda mais por toda a admiração artística de outrora e pelo assombro do teor irrevogável de tudo que veio à tona recentemente, em especial para todos que trabalhavam em filmes e TV com a pessoa em questão, como muitos de nós. É realmente lamentável. Solidariedade total às vítimas”.

O Cinefantasy lançou uma nota oficial horas depois na própria quinta-feira, dia 15 de setembro: “É com muito pesar que a organização da 14ª. Edição do Cinefantasy acaba de cancelar a homenagem e a Mostra dedicada ao ator José Dumont. Devido acontecimentos recentes envolvendo o ator, lamentamos e registramos que a organização do festival não tem controle sobre a vida pessoal dos homenageados e foi escolhido pela sua bela carreira profissional. A 14ª. Edição do Cinefantasy – um dos principais Festivais da vanguarda do Cinema Fantástico, continua com a sua programação onde estão sendo exibidos 115 filmes – 14 longas metragens e 92 curtas-metragens nas mostras competitivas com sessões inéditas sendo exibidas no Reserva Cultural e Cine Satyros Bijou até o próximo domingo. E neste domingo às 20h ocorre a premiação no Cine Bijou.”

Sim, mas o incômodo não afetou suas sessões. Em “Mungunzá”, novo filme da dupla mineira/baiana Ary Rosa e Glenda Nicário, o público compareceu em peso. Sim, é uma fatalidade. Algo que nunca dá para saber até que venha à tona. Quem viu “Dahmer – O Canibal Americano”, série da Netflix, entende bem o que tento dizer. Por tudo isso, O Cinefantasy pode divulgar que sua edição foi um sucesso, inclusive por “ocupar” o Cine Bijou, o espaço da companhia de teatro Os Satyros, na Praça Rooselvelt fechado há 26 anos e reaberto no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, renomeando para Sala Patrícia Pilar, homenagem à atriz brasileira. “O cinema tem 75 lugares e dois espaços para cadeirantes. A sala de projeção está equipada com projetor com DCP e KDM, além de um player multimídia que permite a projeção em outros formatos”, disse o curador Guilherme Marback. 


CONFIRA TODOS OS VENCEDORES DO FESTIVAL CINEFANTASY 2022

Huesera
Cena do filme “Huesera”, de Michelle Garza Cervera

LONGAS METRAGENS

MELHOR FILME: Huesera, de Michelle Garza Cervera

Justificativa de Melhor filme: Longa de estreia da mexicana Michelle Garza Cervera, Huesera impressiona pela maneira como somos assombrados pelo fantástico, numa trama envolvente e bem filmada sobre os medos da maternidade, sem deixar de lado questões que seguem atuais como o mansplaining e o gaslighting.

MELHOR DIREÇÃO: Michelle Garza Cervera (Huesera)

MELHOR ROTEIRO: Queena Li (Bipolar)

MELHOR ATRIZ: Natalia Solián (Huesera)

MELHOR ATOR: Fabrício Boliveira (Munguzá)

MENÇÃO HONROSA: Mundo Proibido, de Alê Camargo & Camila Carrossine

Justificativa da Menção Honrosa: Mundo Proibido de Alê Camargo e Camila Carrossine cumpre o desafio de fazer uma aventura espacial inteiramente feita em 3D e produzida de forma independente. Esta menção propõe dar visibilidade ao cinema de animação LATINO-AMERICANO e também incentivar o apoio institucional estatal e privado, para estimular a criação de novas produções do cinema de animação brasileiro.

Juri Popular – LONGA : Mundo Proibido, de Alê Camargo & Camila Carrossine

Juri Popular – CURTA: Selo, de Alessandro Correa

INDICAÇÃO AO GRANDE PRÊMIO FANTLATAM 2023

LONGA-METRAGEM: O Olho e o Muro de Javier Del Cid

CURTA-METRAGEM: Blackout de Rodrigo Grota

CURTAS-METRAGENS

MOSTRA HORROR

MELHOR FILME: Cruzeiro, de Sam Rudykoff

Justificativa de Melhor filme: Pelo bom engajamento com o público, excelente direção de atores e ótimo valor de produção. A discussão do mundo do trabalho foi aliada ao gênero Horror, trazendo desorientação e suspense com uma importante crítica social.

MENÇÃO HONROSA: Amara, de Danielle Amaral & Fernando Pompeu Neto

Justificativa da Menção Honrosa: Pela sofisticação do desenho de produção e ousadia da linguagem cinematográfica.

MOSTRA FANTÁSTICO BLACK POWER

MELHOR FILME: Mil Vinny ‘s – Suíte Cachoeirana, de Luan Santos

Justificativa de Melhor filme: Pela inventividade na linguagem, por trazer a cidade como elemento central na narrativa, por utilizar a trilha sonora como fio condutor fugindo da reiteração de signos, e por escolher uma montagem inteligente que brinca com a linguagem cinematográfica.

MOSTRA FICÇÃO CIENTÍFICA

MELHOR FILME: O Pulverizador, de Farnoosh Abedi

Justificativa de Melhor filme: Consideramos o apuro estético das técnicas de animação aliado à atualidade e emergência de sua denúncia política, bem como uma sensibilidade fina em sua composição visual poética que transmite diversas camadas de significados narrativos sem ser demagógico ou superficial.

MENÇÃO HONROSA: Alcançar o Vórtice, de Pedro Poveda e Emmanuel Vizcaíno

Justificativa da Menção Honrosa: Gostaríamos de registrar menção honrosa pelo despojamento, utilização adequada e criativa da linguagem do curta-metragem, e perspicácia no uso do humor sarcástico como crítica social.

MOSTRA MULHERES FANTÁSTICAS

MELHOR FILME: Futuros Amantes, de Jessika Goulart

Justificativa de Melhor filme: Já nosso prêmio principal vai para um filme que une diversas dimensões do fantástico para falar, acima de tudo, de afeto. Com produção enxuta, roteiro e direção bem construídos, o filme nos apresenta uma ficção científica em um Brasil futurista e distópico, mas em que ainda há espaço para, o que de fato vai nos salvar, o amor. Por tudo isso, nosso o Melhor Filme da Mostra Mulheres Fantásticas vai para FUTUROS AMANTES, de Jessica Goulart.

MENÇÃO HONROSA: Triskelion, de Jessica Raes

Justificativa da Menção Honrosa: A curadoria nos revelou um olhar plural e instigante sobre o universo fantástico construído por mulheres de diversos países. Muito por isso, trazemos dois prêmios. Uma menção honrosa e o prêmio principal. Nossa menção honrosa vai para um filme que nos conta uma história com encantamento e poesia, com domínio da técnica de animação para narrar, de forma original, a origem de um símbolo já tão propagado mas, na verdade, pouco compreendido. Por isso, nossa menção honrosa vai para TRISKELION, de Jessica Raes.

MOSTRA FANTASIA

MELHOR FILME: Lã Quente, de Tony Olsen

Justificativa de Melhor filme: O premiado da Mostra de Curtas de Fantasia volta à uma das fontes primordiais do fantástico, o universo das fábulas. A montagem do filme traz a precisão da contação de histórias aprimoradas ao longo de gerações dessa tradição para a forma cinematográfica. Personagens arquetípicos e uma estética de época tornam atemporal uma narrativa nova e original.

MENÇÃO HONROSA: Valentina Versus, E. M. Z. Camargo & Anne Lise Ale

Justificativa da Menção Honrosa: O Juri destaca com uma menção honrosa para o filme Valentina Versus por trazer às telas a discussão do machismo e comportamento tóxico do universo dos games utilizando os recursos narrativos e estéticos desse mesmo universo. Temas tão caros a sociedade contemporânea são tratados em linguagem jovem atráves de uma narrativa que submerge junto com seus protagonistas no universo fantástico dos [do games e jogos de RPG.

MOSTRA AMADOR-ESTUDANTE

MELHOR FILME: A Botija, O Beato e a Besta Fera, de Tulio Beat

Justificativa de Melhor filme: Escolhemos o filme, a Botija, o beato e a besta fera pela direção bem conduzida do elenco dentro da proposta, além dos destaques para a primorosa direção de arte e os belos planos e enquadramentos da direção de fotografia. Merece destaque o trabalho de áudio e, particularmente da trilha sonora, que emprega elementos da identidade nordestina como o timbre da Rabeca e a escala mixolídia.

MENÇÃO HONROSA: O Prazer de Matar Insetos, de Leonardo Martinelli

Justificativa da Menção Honrosa: Chamou atenção principalmente pela forma que a narrativa foi construída, pela escolha dos elementos de arte e a bela atuação do elenco.

MOSTRA ANIMAÇÃO

MELHOR FILME: Lágrimas do Sena, de Alice Letailleur, Philippine Singer, Lisa Vicente, Hadrien Pinot, Etienne Moulin, Nicolas Mayeur, Eliott Bernard & Yanis Belaid

Justificativa de Melhor filme: O filme tem impacto narrativo e técnico inquestionável, nos faz refletir sobre a banalidade da violência pelo ponto de vista da personagem e leva à tona o massacre, que até há pouco tempo, havia sido esquecido pelo povo francês.

MENÇÃO HONROSA: Mesa, de João Fazenda

Justificativa da Menção Honrosa: O curta ” A mesa ” é um exemplo de carisma, construção, design e criatividade. Do início até o fim ele representa bem o fluxo social/vida. Foi um dos filmes mais divertidos de assistir , Por isso merece o prêmio de menção honrosa do festival.

MOSTRA BRASIL FANTÁSTICO

MELHOR FILME: O Peixe, de Natasha Jascalevich

Justificativa de Melhor filme: Pela capacidade de criar o fantástico a partir de elementos cotidianos e investigando o prazer feminino, o escolhido pelo Juri é O PEIXE.

MOSTRA ESPANHA FANTÁSTICA

MELHOR FILME: La Luz, de Iago Soto

Justificativa de Melhor filme: Como o curta mais original da categoria de curtas Espanha Fantástica do festival Cinefantasy, o vencedor deve ser La Luz de Lago Soto; uma história sombria que cativa o espectador; colocando como protagonistas: a luz e a escuridão, e conseguindo com isso uma fotografia precisa que se complementa com uma arte da época, rústica, rural, sinistra.

MOSTRA FANTASTEEN-PEQUENOS FANTÁSTICOS

MELHOR FILME: O Peixe Vermelho, de Bassem Ben Brahim

Justificativa de Melhor filme: Pela linguagem poética e acessível, e o uso de diferentes técnicas de animação que constroem uma narrativa original.

MOSTRA FANTÁSTICA DIVERSIDADE

MELHOR FILME: Eu, Sereia, de Augusto Almoguera

Justificativa de Melhor filme: O vencedor da mostra competitiva de curtas Fantástica diversidade é o filme “Eu Sereia”, com direção de Augusto Almoguera, que com sutileza e profundidade, escancara a estrutura transfóbica dos afetos nessa obra. Destacamos o excelente trabalho de fotografia e direção de arte, bem como a maravilhosa trilha sonora.

MENÇÃO HONROSA: Ausência, de Alexia Araujo

Justificativa da Menção Honrosa: O júri destaca também a obra “Ausência” de Alexia Araújo que recebe a Menção honrosa por um trabalho interessante em uma animação comovente que dialoga bem com a proposta da mostra.

PRÊMIO CTAV

O Peixe, de Natasha Jascalevich

PRÊMIO AIC DE CINEMA

Estática, de Gabriela Queiroz

PRÊMIO DOT CINE

Don Javier, de Cadu Rosenfeld

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