À espera do paraíso

Por Fabricio Duque

Sim, Hollywood até tenta fugir de seus gatilhos comuns, mas não consegue se desvencilhar do condicionamento enraizado, como a utilização excessiva da câmera  lenta e da narrativa de limite (reviravoltas pressionadas nos últimos segundos do tempo).  “Atentado ao Hotel Taj Mahal”, que conta ficcionalmente a história, baseada em acontecimentos reais, do ataque terrorista em um dos pontos turísticos mais famosos da Índia, ainda que produto de ação, conduz o público a saídas e finalizações não convencionais, principalmente por sua temática político-social de imigrantes terroristas que “esperam o paraíso” após suas ações-tarefas-missões.

A narrativa ágil e intimamente acelerada, de cortes ultra rápidos, constrói o tom da trama que analisa a relação dos muçulmanos (estimulado pela vingança contra todos aqueles que roubaram tudo o que tinham) com o mundo (o próprio alvo) e vice-versa. Preconceituoso versus radical adoração. Talvez o diferencial do filme seja sua forma orgânica que traça a rotina de trabalhadores em dificuldades e patrões rígidos, bem parecido com a estrutura de “Quem Quer Ser um Milionário?” (2008), de Danny Boyle, este que venceu oito Oscar, incluindo Melhor Filme. Sim, outro estímulo ao desenho final, entre áudios motivacionais e procedimentos de um hotel de luxo, o grande Taj Mahal.

“Atentado ao Hotel Taj Mahal” é um estudo de caso sobre duas Índias completamente antagônicas. Uma pobre demais. A outra “podre de rica”. Uma “fofoca a vida alheia”. A outra faz de tudo para manter a classe e a qualidade fantasiando uma aristocracia incompatível (um mundo ã parte, alheio, segmentado). A condução narrativa amalgama esse paralelo social por detalhes, acelerando o processo do tiroteiro, nos mostrando que o perigo está iminente. É uma ação política, visto que os “terroristas não tem nada a perder”.

A ação começa e o filme produz a sensação do medo. Não há como saber quem sobreviverá. É a guerra, o caos e uma atmosfera (sem música) de que qualquer um pode ser vítima de um desejo subjetivo e súbito de matar pessoas a esmo. São “armas letais humanas”, que inferem a “Elefante”, de Gus van Sant. Pois é, a máxima “querer é poder” é outra frase perigosa. Embasar a luta contra o sistema permite que violências sejam cometidas em nome do Alá e o ódio incutido que sentem expõem crueldades aos “animais da humanidade”.

“Atentado ao Hotel Taj Mahal” é inteiramente um filme maniqueísta contra os muçulmanos, criando a sensação de proteção na plateia contra os maus e de que o “mundo é salvo pelo sentimento de sobrevivência”. É contado pela olhar dos funcionários do hotel e pelos que sofreram os ataques que aconteceram em Bombaim no dia 26 de novembro de 2008 e durou quatro dias. A violência não é suavizada, mas o roteiro, de John Collee e Anthony Maras, resolve isso nos conhecidos alívios cômicos que quebram a tensão, apelando ao sentimental e ao “americano arrogante super-herói invencível” que salvará todos e o mundo.

Sim, sempre há o apelo da emoção e dos gatilhos comuns de salvação, que insere critica à incompetência da polícia que retarda a segurança e a equipe de busca. Assim, toda a construção de pulso forte, que inclui a exclusividade das transcrições originais dos celulares interceptados pelos terroristas reais e a confissão em vídeo de um deles, tampouco as línguas faladas: Inglês, Russo, Hindi, Urdu, Punjabi, Árabe, Grego, Marathi e Persa, não impedem que o filme perca seu ritmo e ganha mais dramaticidade e sensibilidade aguçadas.

O longa-metragem, dirigido pelo americano Anthony Maras, estreante em um longa-metragem, e exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em 2018, transforma-se em um mero filme de ação, como “Invasão a Casa Branca” (2013), de Antoine Fuqua, e ou “7 Dias em Entebbe” (2018), de José Padilha, por facilitar suas saídas e suas conclusões nos ataques que acometem o funcionário Arjun (o ator Dev Patel, que protagonizou o filme vencedor do Oscar citado anteriormente e aqui está também como produtor executivo); os hóspedes David (o ator Armie Hammer) e Zahra (a atriz Nazanin Boniadi), entre tantos outros. “Atentado ao Hotel Taj Mahal” aceita ser entretenimento de ação e mesclar questões sociais da Índia, estas ainda que superficiais, totalmente patriotas e com muitas ajudas facilitadoras, mesmo assim é um bom produto cinematográfico.

Trailer

https://www.youtube.com/watch?v=kPpapnWNePs

Anuncie no Vertentes do Cinema

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *