As Mesas-Debate da Mostra Sesc de Cinema 2019

Por Fabricio Duque

À convite da III Mostra Sesc de Cinema

Todo e qualquer pensamento crítico, por lógica e obviedade, só se constrói pelo ouvir. É quando se escuta, que se questiona, como um pronome reflexivo. E se o que estiver em pauta for o cinema, que por si já espelha comportamentos e reações sociais, então quem participa dessa troca de informações saíra mais expandido em ideias, entendimentos e tolerâncias. É um serviço orgânico e essencialmente humano. Por tudo isso, é tão importante os debates pós filmes e as mesas temáticas, que incentivam a naturalização das possibilidades do existir e do criar.

Pois é, mesas e conversas sobre os filmes, como as analisadas no parágrafo anterior, pulularam na Mostra Sesc de Cinema 2019, embalando sotaques, narrativas e principalmente a diversidade do olhar. Todas foram gratuitas, livres em colocações, extremamente democráticas e abertas a qualquer um que tivesse interesse em participar. A curadoria da Mostra merece uma salva de palmas. Os guerreiros Marco Fialho e Fábio Belotte conduziram com liberdade espirituosa e enérgico pulso forte.

A III Mostra Sesc de Cinema começou dia 02/11 para convidados, e já no segundo dia, as Mesas de Debates integraram-se como tatuagens à programação com o Processo Curadoria da 3ª Mostra Sesc de Cinema (confira Aqui a matéria completa), peculiar, integrativo e geográfico. Divididos em cinco regiões do Brasil, o público pode observar características típicas de cada Estado.

O Cinema Etnorracial

No terceira dia, desde às dez horas da manhã, Mesas regionais debateram com realizadores e/ou equipe os filmes. Na Mesa Temática – o Cinema Etnorracial, abordou sobre a etnografia de raças e permanência dos costumes, um “tema muito caro”. Assista trechos abaixo:

Logo após aconteceu a sessão de A Rainha Nzinga chegou (MG) – Leia a crítica Aqui. O debate ao final da exibição com a diretora Junia Torres pode ser conferido aqui:

Na terça-feira, 5/11, dois debates monopolizaram o dia pela importância e necessidade. O mais longo com três horas de duração foi Mesa Distribuição, com representantes das Distribuidoras: Vitrine Filmes, Embaúba Filmes, Zeta Filmes e Olhar Distribuidora, Fênix Filmes, que forneceu perspectivas de mercado e futuro do “cinema distribuído”. Confira Aqui tudo o que aconteceu!

Artesania da Animação

Em sequência, a Mesa Temática – Artesania da Animação lançou um olhar poético sobre a arte da animação, feita por apaixonados de plantão, que se preocupam mais com a arte do criar que o financiamento da arte. Veja trechos:

Às 19h45, o debate pós filme foi sobre “Bacurau(leia a crítica Aqui), de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, com palestra-aula-curiosidades do crítico de cinema Luiz Joaquim, de Pernambuco, e mediação de Marco Fialho. Confira o vídeo completo e único registro no feed da página do Vertentes do Cinema no Facebook @vertentesdocinema

Cinema LGBTI+

Na quarta-feira, a mesa mais importante da Mostra foi sobre o Cinema LGBTI+. Tantas questões. Preconceitos, transfobia e sobrevivência no nosso meio hostil. Assunto em voga. Pessoas Cis que interpretam pessoas trans. Entender que somos todos artistas e o que existe é personagem e ponto. É como pintar alguém de negro (uma pessoa cis fazer uma trans). Se eu for pra Varginha eu não vou encontrar o ET, mas vou encontrar uma mulher trans. Tentar um diálogo e não uma treta. Uma cultura muito próxima. Confira tudo no vídeo abaixo:

 

Sobre a Mesa Temática – Distopia no cinema contemporâneo brasileiro

 

E para encerrar o debate pós-filme de “A Mata Negra” com seu realizador Rodrigo Aragão e mediação do crítico de cinema Marcelo Miranda, nosso MM original. Confira o vídeo completo no feed da página Vertentes do Cinema no Facebook! @vertentesdocinema

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