As Mães de Chico Xavier

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Ficha Técnica

Direção: Glauber Filho, Halder Gomes
Roteiro: Glauber Filho, Emmanuel Nogueira, baseado no livro de Marcel Souto Maior
Elenco: Via Negromonte, Vanessa Gerbelli, Gabriel Pontes, Tainá Müller, Nelson Xavier, Herson Capri, Neusa Borges, Joelson Medeiros, Caio Blat
Fotografia: Carina Saginitto
Música: Flávio Venturini
Direção de arte: Fábio Vasconcelos
Produção: Sidney Girão
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Estação Luz Filmes
Duração: 108 minutos
País: Brasil
Ano: 2010
COTAÇÃO: REGULAR

A opinião

“As Mães de Chico Xavier”, filme que encerra as comemorações do centenário do médium Chico Xavier, busca a emoção do espectador. Entender o universo de Alan Kardec e seus seguidores espirituais é necessário possuir o conhecimento prévio de seus livros. As histórias psicografadas apresentam narrativa ingênua – pura e amadora – com reviravoltas resolvidas drástica e rapidamente para que assim possa concluir o inicio, meio e o fim. E situações extremas e descontroladas. Os longas-metragens resolveram transpassar a sinestesia da leitura às telas, tendo algumas diferenças. Em “Chico Xavier”, o diretor Daniel Filho utiliza a perspicácia e ceticismo a fim de criar um contraste à obra apresentada, mitigando os elementos do melodrama e conservando o tom emocional equilibrado.

Outro filme é “Nosso Lar”, um dos mais caros mais feitos – finalizado no Canadá e fotografado pelo mesmo diretor de “O mundo depois de amanhã”, que apela ao sentimentalismo exacerbado, com músicas de efeito que “rasgam” a tela. Clint Eastwood também escolheu o tema para se embrenhar. “Além da vida” traz Matt Damon e Cecile de France e aborda a vida de um médium que realiza a comunicação com o mundo espiritual. No novo filme em questão, inspirado no livro “Por Trás do Véu de Isis” – do jornalista e escritor Marcel Souto Maior, os diretores Glauber Filho (de “Bezerra de Menezes – O Filme”, também espirita) e Halder Gomes (de “Morgue”) direcionaram o tema às histórias de mães, que perderam seus filhos e ou enfrentam gravidez antes indesejada.

Três mães enfrentam problemas: o filho de Ruth (Via Negromonte) está envolvido com drogas; Elisa (Vanessa Gerbelli) tenta dar o máximo de atenção ao seu filho pequeno para suprir a falta do pai; Lara (Tainá Müller) é uma professora surpreendida por uma gravidez não planejada. Com a vida turbulenta, essas três mulheres buscam conforto na doutrina espírita de Chico Xavier (Nelson Xavier). O filme comporta-se como novela. A atmosfera transpassada é de observação por parte do espectador. É superficial, como se a própria narrativa estivesse “fora do corpo”, buscando mostrar o elemento interpretativo, optando por elipses cinematográficas. O foco e fora de foco dos instrumentos cênicos quase não existem, os explicitando e os deixando a mostra.

É teatral. Percebemos que a música sentimental percorre todo o contexto. Há referências aos outros filmes espiritas. O produtor de televisão que vê uma fita de video de Chico Xavier (interpretado, novamente, por Nelson Xavier). “Ele está escrevendo um artigo do outro mundo?”, pergunta-se com graça. Caio Blat vive o repórter investigativo. A função dele é saber mais sobre o médium em questão. “Você me conhece, eu duvido de tudo”, diz. “A verdade não combina com a audiência. Não é sempre que se trabalha a verdade no jornalismo”, complementa. A maioria das interpretações está forçada e melodramática, mas podemos destacar o convencimento com as cenas de Caio e Gustavo. São naturais.

A causa é a alta exigência dos muitos atores. Em outro segmento, há entrevistas reais com as mães. Os clichês sentimentais e moralistas são muitos e prejudicam deliberadamente o universo totalitário o qual o tema se apresenta. Há a cena da bicicleta, a tentativa de aborto, tentativa de suicídio. Está tudo lá. “As cartas é que mais me gratificam como médium”, diz Chico entre o “afrondoso abacateiro”. O filme dedica-se a crianças vitimas de abordo provocado, com músicas de Flavio Venturini e Beto Guedes “Sal na terra”. Concluindo, um longa que deseja todo o tempo despertar lágrimas e arrepios.

Até o cético mais radical não resiste à combinação de música e emoções. Então a pergunta que não consigo parar de pensar: Será válido a sinestesia direcionada ao espectador? Não por causa da forma como é conduzida. Quando há utilização da manipulação a fim de obter um resultado satisfatório, então o sentimento real fica em segundo plano. Um filme com mais baixos que altos. As filmagens começaram em 12 de abril de 2010, em Guaramiranga, no Ceará. De lá seguiram para Fortaleza e Pacatuba. A conclusão foi em 17 de maio, na cidade de São Leopoldo, em Minas Gerais. Foi o filme de abertura do I Festival de Cinema Transcedental, realizado em Brasília.

Os Diretores

Glauber Filho tem, com graduação e pós-graduação pela UFC, entre seus primeiros vídeos, “Sonhos, Acredite Neles” (1993)… Alguns dos curtas-metragens que realizou e devem ser citados são: “A Doença do Poço” (1995), “Borracha para a Panela de Pressão” (1994) e “Um Navio à deriva” (2005). Foi aluno do curso de Relato Eletrônico na Era Pós-Moderna na Escuela Internacional de Cine y Television, em Cuba, e participou de vários trabalhos em cinema e vídeo, incluindo a primeira minissérie cearense: Oropa, França e Bahia. Recebeu diversos prêmios em Festivais Nacionais e Internacionais de Cinema. Entre eles: Concurso Doctv IV, Ministério da Cultura – Secretaria do Audiovisual (2008), Melhor Vídeo, Festival de Cinema de Tondela – Portugal (1996), Menção Honrosa, 8 Videofest – Berlim – Alemanha (1995) , Desenvolvimento de Projetos – Rumos Cultural, Itau Cultural (2001).
Seus trabalhos mais recentes são a co-direção do longa-metragem “Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito” (2008), e o documentário comovente “Flores de Marcela” (2009), sobre uma criança anencéfala.

Halder Gomes nasceu em Fortaleza e viveu sua infância em Senador Pompeu, interior do Ceará. O menino que sonhava na pequena cidade do interior lutou muito para transformar seus sonhos em realidade… É formado em Administração de Empresas, pós-graduado em Marketing, faixa preta em taekwondo, artista plástico e também produtor e diretor de cinema. Começou sua carreira na área em 1991, como dublê de filmes de artes marciais em Los Angeles. Realizou o longa de ação “Sunland Heat – No Calor da Terra do Sol” (2001) e está à frente do thriller sobrenatural “The Morgue”, produzido totalmente em Hollywood com artistas internacionais (falado em inglês). Dois curta-metragens que dirigiu transformaram seu nome em referência em diversos festivais: “Cine Holiúdy: O Astista contra o Caba do Mal” (2004), completamente falado em cearensês, e “Loucos de Futebol” (2007).
“O Astista contra o Caba do Mal” conta a história de Francisgleydisson, proprietário do Cine Holiúdy, um modesto cinema no interior do Ceará nos anos 70, que usa de criatividade para resolver a situação quando o projetor apresenta um defeito. “Loucos de Futebol” é um documentário que mostra diversas mini-histórias do universo dos torcedores de futebol, com suas loucuras, frustrações e alegrias.

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1 Comentário

  • Esta temática realmente desperta minha atenção. Eu certamente verei esse filme, já preparado para o efeito piegas na busca pela sentimentalista exacerbado do público.

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