Por Fabrício Duque

A trajetória da vida de um indivíduo é repleta de escolhas. O que faz cada um ser o que é transfere-se por qual caminho que se segue. As paixões são diversas e necessárias. Elas fazem com que escapemos da realidade brutal ou que busquemos interagir fora do imaginário utópico. A catarse funciona pelo sentimento visceral do nosso querer exacerbado. Quando vivenciamos o objeto da paixão, o todo do nosso ser é recompensado cada momento. O Cinema é uma dessas avassaladoras experiências. As referências pessoais são transferidas e ou absorvidas para a tela. Sentimos a real necessidade da aprendizagem de nós mesmos, dos outros, de outras culturas, de novas inovações em técnica de filmagens e nuances interpretativas.

Diante de um filme flutuamos e permitimos que a história, a câmera, a fotografia, a narrativa, o roteiro, os atores, o diretor e tantos outros elementos prendam a nossa existência desde que a luz seja apagada. A atmosfera muda e nos comportamos como presentes em um mundo de terceira dimensão. A devoção por algo dificulta o entendimento por outro que não possui a mesma escolha.

O subjetivismo cria o individualismo que cria a definição de ser que cria a independência da liberdade. Não se precisa buscar a arrogância, a prepotência e a pretensão. Quem sabe o que quer e o que é pode muito bem ser livre mesmo convivendo com cobranças e com as próprias adversidades do universo o qual temos que transpassar. Quando analisarmos uma película, um digital e ou até mesmo uma fita de vídeo, o espectador necessita tentar preocupar-se em sentir. Observar o que assiste. O que pode ser absorvido, descartado, aprendido e incorporado. Refletir sobre o argumento que está sendo apresentado, projetar à vida do que está sendo ‘manipulado’ e deixar ser conduzido e ‘lavado mentalmente’ apresenta-se como a melhor maneira de vivenciar a experiência da sua paixão. Portanto sentir é a conseqüência da estrada escolhida e defendida.

Ao escrever uma opinião, todos os elementos vinculados à arte cinematográfica são levados em conta. Se um arrepio em uma cena, o cansaço em outra, os sentimentos de agitação, de tristeza, de liberdade, de angústia interferem em minhas emoções, o filme é visto de outra forma. Quando não respeita a minha inteligência ou é pretensioso demais, tento o viés do porquê, do motivo que o levou ser o que é. Alguma defesa existe para a realização de um projeto ruim. Explico a minha visão, o que entendi ou inferi. Mas a salvação é apenas para os grandes, mesmo sendo um filme de curta-metragem de um minuto com míseros dez reais de produção.

A grandeza não é vinculada às altas somas de dinheiro. Um projeto simples, competente, com uma idéia original e inteligente ganha, sem sombras de dúvida, de um projeto que visa apenas a alienação do grande público com explosões e carros em alta velocidade. Cinema não tem que ser só diversão. É terapia existencial e pessoal. Pode ser traumático e ou compensador. Define-se como a própria vida real vista de forma ficcional.

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