New York Herald Tribune, New York Herald Tribune…


Por Fabricio Duque

Já escrevi aqui, inúmeras vezes, análises existenciais sobre a metalinguagem da árdua tarefa de se construir um texto. Torna-se recorrente e repetitivo, mas necessário ao observar o universo cotidiano ao nosso redor. Hoje em dia, não é nem um pouco complicado encontrar informações variadas sobre um mesmo tema. Se um filme despertar interesse, poderemos ler entrevistas, parte técnica cinematográfica, resenhas de não sem quantos veículos midiáticos, tanto blogs, quanto canais especializados. Porém a essência continua a mesma. A velha e complexa subjetividade. Escrever é quase um dom. Precisa-se de conteúdo e didática suficiente ao transpor palavras ao entendimento e à atenção do espectador-leitor. O que “consagra” uma boa e equilibrada crítica é a humildade, que se utiliza, logicamente, da mitigação do estágio egocêntrico de quem escreve e a supervalorização do elemento experimental, este sim, dotado de dúvidas e possibilidades de resultados. Se lidarmos com desejos diversificados, e “confusos”, então devemos descobrir qual o caminho que se deve translinear. Na maioria dos casos, o próprio tema abordado conduz a linha pensativa. Às vezes, o texto tende ao técnico, outro ao pessoal, enfim, é mais que comum e aceitável. Neste processo, o mundo “real”, que nos contorna, prefere continuar seguindo seu curso com adversidades e com a ”bendita” falta de tempo (característica que já se tornou até redundante comentar). Se pensarmos que o que faz um Crítico (o profissional) é a quantidade de informações captadas e processadas; então nós compreenderemos melhor, que, nos dias atuais, o tempo “faltoso” prejudica e muito a realização de um conteúdo bom e equilibrado, pois é devido à pressa do consumo exacerbado por cultura, chegando ao cumulo de traçar linhas definidoras mesmo sem o conhecimento anterior, como a filmografia de um diretor, por exemplo. Assim, as resenhas analíticas de um filme ficam menores, diretas e indutivas. Confesso que experimento, constantemente, a culpa por não conseguir acompanhar a “infinita” quantidade de mostras, festivais e estreias sobre a sétima arte. Sou de um tempo que um filme permanecia meses em cartaz. Agora, necessitamos “correr” a fim de que possamos assistir no formato “tela grande”. Será que nós paramos para questionar o futuro do cinema? Caros espectadores-leitores, o “cinema de raiz” está morrendo. Em três exemplos, posso argumentar meu ponto de vista. As empresas Fuji e Kodak, que vendem películas, anunciaram que não irão mais comercializar o material bruto da sétima arte. Cada vez o DCP (formato digital que “imita” a película) torna-se mais frequente e utilizado. Qualquer um que possui uma câmera (menor e mais barata) põe na cabeça que será o novo Glauber Rocha e ou um Godard. Talvez eu seja um nostálgico inveterado. Talvez porque em tempos de música digital, nado contra a corrente e aumento a minha coleção de vinis. Ou porque não perco a chance de tirar uma fotografia e ainda ter o prazer da revelação analógica. Ou porque ainda tenho televisão analógica. Ou porque ainda uso vídeo cassete. Ou porque ainda leio livros “impressos”. Continuemos o raciocínio. Será mesmo evolução que, por praticidade, a quantidade vence a qualidade? Um som tirado de um vinil, a imagem revelada sem filtro digital e a transmissão de uma televisão “antiga” geram uma qualidade maior que as mídias digitais. Eu não entendo. Desejo película, vinil e torço para que minha TV não dê problemas. Até mesmo o conteúdo do Cinema está se comportando como um cinema. Em hipótese nenhuma, eu sou um alienado cibernético. Adoro tecnologia. Mas quero poder ter escolha. A sensação de assistir a um filme em 35mm, 16mm e ou 8mm é inexplicável. Por que mitigar o meu prazer? Por que querer ser desrespeitoso com quem inventou o cinema e com quem deseja perpetuá-lo? Voltando à arte da escrita, quanto tempo vocês acham que eu precisei a fim de finalizar estas linhas? Posso dizer que não foi da noite para o dia. Portanto, este espaço continuará pensando e experimentando a arte cinematográfica de forma visual e verborrágica. Que se comportará como a rotação 33 1/3 de um disco, resgatando o tempo “perdido”, sem pressa, sem pressão e com bastante conteúdo questionador e altamente subjetivo. Obrigado!

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