A opinião

É um filme novela, como um épico, que conta a história do crescimento, conhecimento e a constituição da maturidade cruel e real da vida. Porém é extremamente bem cuidado. Talvez por causa do diretor que já produziu Frida. Os personagens são aprofundados e demonstram sentimentos. Com uma fotografia e música nostálgicas de uma época, o longa acontece de forma direta e com diálogos e ações de uma sinceridade ingênua e sem pudores. A personagem principal, que começa o filme com quinze anos, é determinada no que quer e totalmente segura de si. Ela experimenta as novidades do caminho de sua vida. Os relacionamentos não são convencionais. O marido a ensina como se ela fosse um soldado de sua tropa. Ela por sua vez o enfrenta e diz o que pensa, expondo-se por saber que a sociedade em que vive é hipócrita. Todos precisam manter as aparências, fingindo o que sabe e manipulando o resto por oportunismo. Reviravoltas acontecem, resolvem-se e retornam ao que era. A persuasão e a dissimulação são elementos de enlace do roteiro. “Na verdade, eu era cúmplice oficial”, diz-se. Há um rumo certeiro e cruel nas palavras “Que país! Aqueles que não tem medo, tem tédio”. É um filme político, mas só na superfície. “Todos os concertos são atos políticos”, diz outra frase. O se quer mostrar realmente é a história de amor e o vazio de uma vida. A direção de arte é impecável. Porém o conjunto comporta-se cansativo, perdendo-se em alguns momentos e deixando brechas. Como disse: um novelão bem cuidado. Se recomendo? Sim, pela parte técnica e por algumas interpretações.

Ficha Técnica

Direção:Roberto Sneider
Roteiro:Roberto Sneider
Elenco:Ana Claudia Talancón, Daniel Giménez Cacho, José María de Tavira
Fotografia:Javier Aguirresarobe
Montagem:Aleshka Ferrero
Música:Martín Hernández
País:México / Espanha
Ano:2008

A Sinopse

Por imposição da família, Catalina se casa ainda adolescente com o ambicioso general Andrés Ascensio, na época em que o México atravessava o conturbado contexto político dos anos 30. Andrés quer se tornar governador e para isso precisa do apoio de sua esposa. Oprimida pelo machismo da sociedade mexicana, Catalina se submete à figura poderosa do marido. Mas o encontro com Carlos Vives, um jovem maestro idealista, apresenta a Catalina o dilema da escolha entre a estabilidade do casamento e do projeto político de seu marido e a liberdade de uma nova paixão.

O Diretor

Nasceu em 1962, na Cidade do México. Estudou na Universidade Iberoamericana e formou-se no curso de Direção do American Film Institute. Em 1994 escreveu e dirigiu seu primeiro longa-metragem, Dois Crimes, vencedor de mais de 15 prêmios internacionais, entre eles o de Melhor Filme no Festival Três Continentes de Nantes do mesmo ano. Em 2002 produziu Frida, de Julie Taymor, premiado com dois Oscars. Este é seu segundo longa-metragem.

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