A Premiação Oficial
Por Vitor Velloso
Cerimônias de encerramento são dúbias, todos os agrados aos patrocinadores devem ser mantidos, as devidas homenagens aos artistas e, claro, o agrado ao público. Esta última parte ficou faltando no fim da 26ª edição do Anima Mundi. Toda a estrutura contendo os prêmios foi montada, criadores do festival, produtora executiva, casa lotada… Para que tudo fosse feito às pressas e nenhum dos prêmios que estavam na mesa fossem entregues. Se iriam entregar em São Paulo, não criasse a expectativa diante do público. A falta de Glamour e recepção foi tanta, que a ACCRJ subiu ao palco para anunciar os vencedores e em menos de um minuto já estava descendo. A falta de carisma que se expôs na noite do dia 29, infelizmente, era um reflexo na tenebrosa programação que foi montada. Não me refiro aos filmes, mas sim a organização que foi feita para as sessões.
Um festival punitivo, onde todos os longas da competição tinham exibição única, que uma das principais atrações que era o Oi 360, foi iniciado apenas na reta final e que não conseguiu cumprir com a proposta de “ser um festival para todos”. Onde uma das pessoas da noite discursa que infelizmente muitas crianças não contemplaram os filmes, pois o custo das passagens as impedia, mas que eles, sempre que podiam, disponibilizavam vans para levar algunos às sessões. Bom, mas tenho certeza que o lobby estava em dia.
A noite começou suas premiações com a ACCRJ presenteando melhor curta-metragem brasileiro para “Barone” de Douglas Hoose e melhor Longa-metragem para “As Aventuras de Fujiwara Manchester – O Filme”, de Alê Camargo. Demonstrando o apreço, por filmes populares.
Em seguida o Canal Brasil premiou o belo trabalho de Nara Normande, no merecidíssimo “Guaxuma”, que possui crítica aqui no site.
Logo após, foram exibidos os três curtas finalistas do Prêmio Maratona Animada Senai. E contra a vontade popular foi escolhido “Inteligência Emocional” da Equipe Bugbite. Os três finalistas eram bem frágeis, mas possivelmente “Coffe Break” era o mais sincero deles, e era a escolha popular.
Carlos Saldanha subiu ao palco para divulgar os vencedores de seu prêmio, premiando assim melhor curta-metragem brasileiro para “O Homem na Caixa”, clichê mas eficiente. E melhor curta-metragem de estudante brasileiro para “Lé com Cré” da Cassandra Reis.
Encerrando assim a premiação especial. Dando início aos prêmios do Júri Profissional.
Júri Profissional
Melhor Roteiro – “Weekends”, de Trevor Jimenez (Estados Unidos). Merecido, afinal de contas, foi um dos projetos que melhor compreendeu seu tema e abordou de maneira sensível e honesta todas as problemáticas que envolvem a separação dos pais e como o universo infantil é menos inocente que imaginamos. Já possui um comentário maior aqui no site.
Melhor Concepção Sonora – “Island”, de Max Mortl e Robert Lobel (Alemanha). Acho um exagero premiá-lo, mas não injusto. É um filme que dependia diretamente desta ambição técnica. Usando as onomatopeias como construção narrativa, gerando música a partir disto.
Melhor Direção de Arte – “Agouro”, de David Doutel e Vasco Sá (Portugal-França)
Melhor Técnica de Animação – “Augenblicke”, de Kiana Naghshineh (Alemanha). Não há o que discutir. Além de melhor técnica de animação, foi o melhor curta do festival. Intenso, necessário e ousado. A linguagem é assustadora e envolvente. O espectador sai da sessão completamente impressionado com a proposta do curta.
Melhor Filme da Sessão Galeria – “Grandes Canons”, de Alain Biet (França). Achei uma lástima ele ter levado o prêmio. “Almas” do Marcos Faria era um dos meus favoritos. “Deyzangeroo” do Ehsan Gharib era muito bom também. Todos do John Morena. Sem dúvida “Grandes Canon” foi um dos que menos gostei da Sessão Galeria.
Melhor Filme da Sessão Portfólio – “Everything in Black & White”, de Mateus de Paula Santos e Fábio Acorsi (Brasil). Não consegui assistir a Sessão Portfólio, mas assisti a este curta. Se ele era o melhor das duas sessões, acho que ela estava mal representada. Não que eu ache o curta ruim, mas em termos de linguagem e de temática, não se extrai muito daqui.
O júri popular costuma ser uma das premiações mais honestas dos festivais, pois, ninguém deve nada a ninguém e especificidades técnicas não são levadas tão em conta, apenas a experiência.
Júri Popular
Melhor Curta – “Happiness”, de Steve Cutts (Reino Unido). Eficiente e extremamente certeiro em sua diretriz, “Happiness” é um tratado sobre como o consumismo e a alienação midiática a partir dos detentores do poder, nos torna refém de desejos vendidos como mercadorias.
Melhor Curta Brasileiro– “O Homem na Caixa”, de Ale Borges, Alvaro Furloni e Guilherme Gehr (Brasil). Fácil de se prever, afinal, é uma narrativa cativante e que prende o espectador, surpreendendo muitas pessoas. Possui um tom certeiro em seu suspense e não apela para artifícios baratos.
Melhor Curta Infantil – “Formigas”, de Julia Ocker (Alemanha). Bastante divertido, “Formgias é um tratado sobre o “sair da caixinha”, aceitar a diferença e o lazer como uma forma de existência mais produtiva e menos castrada.
Melhor Curta de Estudante “Comme un éléphant dans un magasin de porcelaine”, de Louise Chevrier, Luka Fischer, Rodolphe Groshens, Marie Guillon, Estelle Martinez, Benoit Paillard, Lisa Rasasombat (França). Um curta engraçadinho sobre um elefante que está numa loja de porcelana, sem nenhuma explicação. Usa a meticulosidade do protagonista como gatilho, físico, cômico potencializado.
O balanço geral da noite, foi decepcionante, como o evento, assim como parte dos resultados, principalmente da ACCRJ. Mas ainda assim o Anima Mundi de 2018, mostrou mais uma vez que é possível ser assistido por um “grande” público. Como eu disse, achei a programação extremamente punitiva e desorganizada quanto a suas atrações, além, de ser uma confusão absoluta cobrir o festival inteiro sozinho, pois, o mesmo cinema que está passando em ordem todos “Curtas”, simplesmente pula uma sessão, exigindo que você corra atrás dessa exibição em outro cinema, no horário que está passando um longa, que você não pode perder. Uma falta de consideração completa com o público.
Troféu Vertentes do Cinema
Melhor Curta-Metragem: “Guaxuma”, de Nara Normance.
Melhor Longa-Metragem: “Tito e os Pássaros”, de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto.