acontecencias-stillFicha Técnica
Direção: Alice Villela, Hidalgo Romero
Roteiro: Alice Villela, Hidalgo Romero
Direção de Fotografia: Alice Villela
Camera: Alice Villela, Hidalgo Romero
Montagem: Alice Villela, Hidalgo Romero
Música: Alice Villela, Hidalgo Romero
Edição de Som: Alice Villela
Mixagem e Desenho de som: Ricardo Zollner
Produtores: Alice Villela, Hidalgo Romero
Produtora Executiva: Alice Villela
Produtora: Laboratório Cisco
Formato: MINI-DV
Duração: 24 minutos
País: Brasil
Ano: 2009
COTAÇÃO: EXCELENTE

A opinião

Munida de uma câmera, a antropóloga Alice Villela realiza pesquisa de campo na aldeia Asuriní, no Xingu, um povo que teve o primeiro contato com o mundo exterior há cerca de 30 anos. Passando dois meses entre eles, em 2007, ela registrou diversos momentos de sua vida cotidiana. Agora, também questiona essas imagens, compartilhando suas dúvidas sobre os limites entre a arte e a antropologia. A equipe permaneceu dois meses, convivendo com o costume local.

Há várias formas de se realizar um curta-metragem sobre o retrato de índios em sua aldeia. Alice Villela escolheu a poesia realista das imagens com a narração pausada, direta, existencialista, crua, lúdica e sem rodeios de Melissa Lopes. A linguagem metalingüística interage o espectador a um grau de cumplicidade em aceitar e escolher as imagens apresentadas.

É uma pequena obra-prima. O que se diz e a forma como é dito, faz quem esta assistindo esquecer as imagens, mas por outro lado não se consegue desapegar-se do que esta vendo. É a combinação perfeita. Um contraste do confronto. Não há preferência. O foco, o não foco, os closes, as marcas, tudo humaniza sem julgar, mesmo quando o chefe da tribo cobra para apresentar o ritual. Tudo acontece despretensiosamente e com uma condução afiada e certeira. Ela desmistifica a si mesmo e os índios “Será que estão representando para mim? Será que é encenação”, diz.

Observar-se o processo de realização do filme, com imagens perdidas que a voz de Melissa dá o sentido necessário. O objetivo é atingido: entretenimento cultural com a ingenuidade da realidade. Vale muito a pena ser visto. Muito mesmo. Recomendo e se fosse júri, o meu voto seria desse filme. Participou da 22ª edição do Festival Internacional de Documentários de Amsterdã.

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