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A Voz do Empoderamento

Se você é professor ou é médico ou engenheiro, então eu sou prostituta

Por João Lanari Bo

Festival de Berlim 2022

A Voz do Empoderamento

A voz do empoderamento”, longa-metragem do indiano Sanjay Leela Bhansali, lançado em 2022, é mais um produto bollywoodiano que circula no mundo graças ao streaming global. Para a audiência brasileira, o cinema indiano é uma categoria exótica, restrito a cinematecas e salas habituadas a filmes egressos do world cinema, filmes de “valor artístico” bem recebidos no circuito de festivais. O mainstream da produção era (e é) algo raríssimo por essas e outras plagas, a despeito do enorme sucesso que alcançam no país natal e adjacências asiáticas – e também na finada União Soviética, onde ocupavam espaço privilegiado graças à óbvia dificuldade de distribuição dos filmes norte-americanos. Hoje, na Rússia como na maior parte do mundo, vivemos sob a égide do rolo compressor hollywoodiano, e as produções de Bollywood configuram um dos principais polos de resistência a essa hegemonia. Apesar do cinema indiano não se resumir a Bollywood, os filmes hindus de grandes orçamentos mais populares e consumidos são bollywoodianos: em 2017, quase 2 mil longas-metragens indianos foram lançados (364 de Bollywood) o que representa 43% das bilheterias do país – anualmente, naquele imenso mercado que é a Índia, são vendidos 3,6 bilhões de ingressos para longas locais, enquanto as produções hollywoodianas chegam a 2,6 bilhões por ano. Em termos de produção, a indústria cinematográfica da Índia é provavelmente a maior do mundo, ça va sans dire. As histórias criadas em Bollywood tendem a ser melodramáticas – amores impossíveis, dramas familiares, sacrifícios, vilões, famílias separadas – com melodias ajudando a estruturar a narrativa. O sucesso dos filmes, inclusive, é medido a partir dos seus números musicais. Esse é o caso, também, do filme em tela, que pode ser definido como um musical de alta produção – custou algo entre 15 e 20 milhões de dólares, elevado para os padrões locais – com enredo de fundo social.

Sim, fundo social: o filme baseia-se na vida de uma ativista social e prostituta, Gangubai Kothewali, de família abastada, filha de um advogado pequena cidade de Kathiawad, que foge junto com o contador do pai para Bombaim (hoje Mumbai) com o sonho de tornar-se atriz de cinema e… termina sendo vendida para um bordel pelo infame contador. O bordel situava-se no distrito da luz vermelha de Bombaim, um enorme bairro dedicado à prostituição, Kamathipura – o maior da Ásia, enfiado numa das mais populosas cidades do planeta. Gangubai eventualmente acaba operando seu próprio bordel e tornando-se lobista e ativista dos direitos das trabalhadoras de sexo, com aparições públicas de repercussão e mesmo uma entrevista pessoal com o Primeiro-Ministro Nehru, o grande líder carismático da independência indiana, herdeiro político de Gandhi. “A voz do empoderamento”, afinal de contas um musical bollywoodiano, glamouriza o que pode a heroica jornada da Gangubai: cenários art deco, fotografia esmerada de tonalidades ajustadas às intensidades melodramáticas, fartura de números musicais e representação hiper estilizada. Mas o eixo estruturante do arco dramático, para usar um jargão dos manuais de roteiro, é cristalino: uma mulher que reúne forças e coragem para se sobrepor ao mundo cruel à sua volta e na sequência consegue arrastar desvalidas e desalmadas para uma vida melhor. A estratégia visual utilizada à exaustão pelo filme – grandes angulares, Gangubai no centro do quadro em geral exalando fúria e revolta – revela-se logo no início, numa cena no bordel em que a protagonista está sentada no meio de um banco, frontal à câmera e ao lado das colegas, aplicando maquiagem e se preparando para atrair os clientes. Cuidadosamente construída, realçando discretamente cada detalhe e cada gesto das mulheres em volta dela, a imagem de Gangubai parece desafiar o destino que se lhe afigura, anunciando a futura matriarca de Kamathipura e a ativista lutadora.

Sanjay Leela Bhansali, realizador de grandes produções, viveu muitos anos nas redondezas de Kamathipura, mas isso não o impediu de fazer um filme altamente higienizado, sem sexo e violência, quase um conto de fadas. Até mesmo o chefão mafioso da área, muçulmano e afegão que emigrou para Bombaim e atendia pelo nome de Karim Lala, aparece romantizado em seu papel de protetor da heroína. “A voz do empoderamento” – o título em português que a Netflix escolheu é horroroso – ameniza todas as contradições que Gangubai encarou e atravessou, que não devem ter sido poucas, dado o mundo em que circulava. Welcome to Bollywood !

3 Nota do Crítico 5 1

Trailer

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  • Encantada coma história desconhecia, que bom começar a semana vendo filmevque nos deixa corajosos!!
    parabéns s toda Equipe essa atriz é fantástica tbm e cono amo cultura indiana mm sabendo da sociedade castas horrível e da sujeira e covardia até hj nompoder o filme é uma surpresa

  • Embora eu ame os filmes bolliwoodianos, confesso que não teria me interessado tanto por esse se não fosse pelo nome.
    Eu assisto a tantos filmes indianos que pensei se tratar de mais um daqueles com muito romance e outros elementos típicos dessa cultura tão atraente para mim. No entanto quando li o nome e vi uma mulher na capa guardei para assistir mais tarde e no momento que comecei a ver e entendi do que se trata fiquei paralisada ali, sem piscar, muito envolvida com a história de verdade de uma pessoa que de uma forma tão especial mudou a história de muitas outras. É simplesmente encantador! Pode até dar a nós mulheres motivos para acreditar mais em nossas lutas por nosso espaço nesse mundo, ainda despreparado para as diferenças; claro que tem que ter a mente aberta e um certo grau de sensibilidade para compreender o destino de cada um e seus motivos de serem o que são. Amei.
    Inclusive a crítica de João Lanari Bo está incrível, só não achei o nome horroroso, até porque a estratégia da netflix me pegou de jeito. Falou em empoderamento e feminino ainda….. é com “nóis” mesmo!!!

  • Gostei demais. Grande produçao. Filmasso! Foi uma grande surpressa. Como é bom conhecer grandes atrizes. A interpretaçao de Alia Bhatt é digna de oscar. Talvez muitos gostem de filmes com açao, mas este, tras a vida e suas nuances em um mundo onde culturamente a mulher é muita discriminada ate os dias de hoje e, perceber esta personagem bater de frente com o sistema é inspirador!…

  • Sem palavras,nunca fiz nenhuma crítica ou elogios a filmes que assisto mesmo gostando.Porém esse filme me fascinou .Deixo aqui elogios a toda produção, figurinos,elenco e em especial a essa excelente jovem atriz.

  • Amei o filme, inspirador!!apesar de ser bem longo, não perdi o interesse em nenhum momento…. Lindo… Assistam!

  • Esse filme é incrível.
    Impressionante essa história, fiquei completamente encantada como um ser tão iluminado, conseguir uma mudança extraordinária assim na vida de tantas outras mulheres, que incrível, passei o filme inteiro emocionada, Gagubai marcou sem dúvida minha vida daqui pra frente, SEM PALAVRAS, valeu a pena passa tanto tempo na frente de uma televisão.
    Merece o Óscar.

  • Esse filme é uma joia exótica deslumbrante! Com um cenário e um figurino tão caprichados quanto um filme de Visconti, atores de primeiríssima qualidade, mulheres belíssimas, canções que pontuam o enredo, e uma história empolgante, envolvente, muito emocionante. Um prazer imenso ter visto esse filme. Sem sombra de dúvidas, logo logo vou sentir saudades e querer revê -lo.

  • Um filme emocionante, onde prende sua atenção total do início ao fim.
    Gratificante , encantador , inúmeros elogios .
    Super indico!

  • Nossa amei o filme, linda história 👏👏👏o desfino cheio de tristeza porém sorria e lutava por ela e pela pessoas 👏👏

  • Me emocionei completamente por esse filme me tocou profundamente deu pra sentir a dor daquelas mulheres….nunca devemos julgar essas mulheres sempre tem os dois lados….sempre….aplausos…..

  • Adorei o filme. O título primeiramente chamou minha atenção . Enredo delicado e ao mesmo tempo forte . Não teve apelo sexual . O título me chamou a atenção . A atriz magnífica . Super indico .

  • Maravilhoso, um filme necessário, contundente, forte e emocionante. Um filme que vem pontuar a necessidade da mulher ser protagonista na vida, da mulher fazer sua história. Um filme inclusivo.
    Muito bom.

  • Lindo filme, fiquei em êxtase por vários dias. Confesso q fui fisgada pela foto de Gangu e pelo nome dado pela Netflix ( A voz do empodeiramento). O filme tem tudo q gosto: uma mulher ativista, q combate o preconceito, o machismo, luta por direitos de mulheres e crianças, totalmente sem dignidade. A Gangu é uma mulher q não abaixa a cabeça, consegue ser fria, sensata, não perde o foco, um verdadeiro exemplo de poder feminino. Simplesmente lindo, vou ver novamente para prestar mais atenção nos detalhes. A única observação ruim é q as vezes a legenda aparece muito atrasada e só pisca na tela, impossível de ler e até de pausar.

  • A sexualidade vista sobre outro prisma, sendo utilizada como elemento revolucionário; dentro do caos pode sim existir amor, fraternidade, irmandade, maternidade, sonhos, pode sim existir uma Heroína, que não tem super poderes , mas é capaz de renunciar sua própria felicidade para dar uma oportunidade de vida melhor a alguém desconhecido.
    Namastê

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