A Vida de Outra Mulher

A Maestria de Juliette Binoche

Por Fabricio Duque

É possível uma atriz permanecer fantástica a cada novo trabalho? Sim, Juliette Binoche integra este time, reinventando-se, sem repetir interpretações. Em cada filme, assistimos uma interpretação diferenciada. E fazemos a pergunta óbvia: quantos papéis cabem nesta atriz? Sem sombra de dúvidas, Juliette busca superar a si mesma, e pelo fator mais simples: utilizando-se apenas da extrema competência de realizar o que explicitamente já está comprovado e documentado. Um excelente exemplo de auto-competição. Ela passeia pelo drama e pela comédia, pelo aprofundamento e pela futilidade, pela sutileza e pelo exagero, de forma tão equilibrada, que chega a ser perturbador a outras atrizes, que precisam “rebolar” muito para conseguir um terço de sua maestria. Em “A vida de outra mulher” está magnífica, corroborando a ideia de perfeição ao vê-la em cena. Juliette entrega-se tão naturalmente que quebra o limite entre ficção e realidade, é quase um documentário.

A sinopse ao lado de “A vida de outra mulher” não consegue transmitir a grandiosidade da película em questão. Posso adiantar que durante a exibição até o seu término, não há quebra de ritmo. É de um equilíbrio narrativo inteligente, divertido, com tom de surpresa e completamente existencialista. Este último totalmente metafórico, partindo do conceito de filme fantástico. Será que isso mesmo aconteceu? Será um lapso de loucura? Será uma defesa do subconsciente para que possa resolver os erros de sua vida? Não, não é explicado. Até porque, é um gênero tipicamente francês, que toma emprestado algumas referências de filmes comerciais americanos, como “Quero ser grande”, com Tom Hanks, “De repente 30”, porém o mais próximo deles é “Um Homem de Família”, com Nicolas Cage. Não, estas referências apenas dão o tom de referência. O longa-metragem abordado aqui busca a temática adulta e respeita a inteligência do espectador quando mitiga os gatilhos comuns e a possibilidade do clichê (tão intrínseco num gênero desse modo).

“A vida de outra mulher” é a estreia de Sylvie Testud na direção de um longa-metragem, baseando-se no romance homônimo de Frederique Deghelt, dividindo o roteiro com Claire Lemaréchal. A diretora, atriz de inúmeros filmes franceses (como “Piaf”, “Meu Pai, meu Filho”). Ela tinha realizado um curta-metragem em 1998, “Je Veux Descendre”. Sylvie, desde já, mostra competência no que faz, e acerta em cheio ao escalar Juliette Binoche que contracena com o excelente ator Mathieu Kassovitz (de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”). Pesquisando sobre a vida da cineasta estreante, percebemos a elegância das cenas, talvez por ter trabalhado com Agnes b. (da revista ELLE). Tudo ajudou. Inclusive a música, que resume e funciona como mudança temporal, destaque para Blondie e Cat Power. E assim, “A vida de outra mulher” é um filme único, fantástico, excelente, que recebeu cotação máxima aqui neste site. Mais do que recomendado, é obrigatório aos amantes da sétima arte (e também aqueles que escolhem filmes por diversão).

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