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A Estranha Onda do Cinema Grego

Por Fabricio Duque

O Festival de Cannes deste ano, em sua edição histórica de setenta anos, selecionou na mostra competitiva oficial a Palma de Ouro, “The Killing of A Sacred Deer” (crítica completa Aqui), novo filme do diretor Yorgos Lanthimos (de “O Lagosta“, “Dente Canino”), integrante do novo gênero cinematográfico chamado de “Greek Weird Wave”, em que tem a estranheza como característica principal.

O público do Rio de Janeiro poderá conferir, na Caixa Cultural, a mostra “Cinema Grego Contemporâneo – Memórias da Crise”, de 06 a 18 de junho (terça-feira a domingo), doze filmes realizados entre 2009 e 2016. Com curadoria de João Juarez Guimarães, Diana Iliescu e Anna Karinne Ballalai, o evento traz algumas das mais representativas produções desta “Estranha onda grega” e permite que seus espectadores possam conhecer melhor esta nova estética grega.


O Release

Em meio à crise econômica que afeta a Grécia, emergiu uma nova “onda” de filmes, cujo olhar revela uma realidade que a crítica especializada, incapaz de definir seus contornos, contentou-se em chamá-la de “estranha”. Com efeito, são obras estranhas com personagens grotescos, em meio a situações bizarras e artificiais.

A seleção de filmes apresenta diversos destaques. Ganhador do Prêmio Un Certain Regard, no Festival de Cannes de 2009, e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, “Dente Canino” de Yorgos Lanthimos é, certamente, o filme mais aclamado da mostra. Narra a história de jovens que, excessivamente protegidos pelos pais, nunca tiveram contato com o mundo exterior. O filme será exibido nos dias 06 e 18 de junho.

O mesmo isolamento se observa em longas mais recentes como L (2012), de Babis Makridis, ou Os Sentimentais (2016), de Nikso Triantafillidis. Em outras produções, como Academia de Platão (2009), de Filippos Tsitos, Meu país (2010) de Syllas Tzoumerkas, e Xenia (2014) de Panos H. Koutras, a realidade catastrófica parece, pouco a pouco, contaminar a vida cotidiana com uma espécie de desassossego epidêmico cada vez mais ameaçador. Em Attenberg (2010) de Athina-Rachel Tsangari, esse estranhamento se faz notar, ainda, quando uma jovem descobre a sexualidade ao mesmo tempo em que cuida do pai à beira da morte.


Debate e Catálogo

Para discutir a visão de mundo inquietante das produções, a mostra apresentará o bate-papo A representação da crise no cinema grego, com o mais importante filósofo grego contemporâneo, Theofanis Tasis. O debate ocorrerá no dia 14 de junho, às 19h10, e terá tradução simultânea.

Formado em física e filosofia pela Universidade de Creta, Grécia, e PhD na Alemanha, Tasis é autor de teorias que trabalham conceitos de imagem e identidade na esfera social e abordará o modo com a crise grega tem sido transposta para as telas do cinema.

Em paralelo, ao longo de toda a temporada será distribuído, gratuitamente, um catálogo contendo informações de cada filme, além e textos inéditos de Anna Karinne Ballalai, Luis Carlos Junior e Victor Narciso.


A Programação Completa

06 de junho (terça-feira)
17h – Alpes (2011), de Yorgos, 93 min, 18 anos
19h10 – Dente Canino (2009), de Yorgos Lanthimos, 94 min, 18 anos

07 de junho (quarta-feira)
17h – Academia de Platão (2009), de Filippos Tsitos, 103 min, 14 anos
19h – Os Sentimentalistas (2016), Nikso Triantafillidis, 100 min, 18 anos

08 de junho (quinta-feira)
16h – Xenia (2014), de Panos H. Koutras, 128 min, 18 anos
19h10 – Juventude Desperdiçada (2011), de Argyris Papadimitropoulos, 98 min, 16 anos

09 de junho (sexta-feira)
16h30 – Miss Violence (2013), de Alexandros Avranas, 99 min, 18 anos
18h30 – Meu País (2010), de Syllas Tzoumerkas, 107 min, 16 anos

10 de junho (sábado)
16h – Tungstênio (2011), de Giorgos Georgopoulos, 100 min, 16 anos
18h – Garoto que come alpiste (2012), de Ektoras Lygizos, 80 min, 16 anos

11 de junho (domingo)
16h – Meu País (2010), de Syllas Tzoumerkas, 107 min, 16 anos
18h30 – Attenberg (2010), de Athina-Rachel Tsangari, 95 min, 18 anos

13 de junho (terça-feira)
17h – Alpes (2011), de Yorgos Lanthimos, 93 min, 18 anos
19h10 – L (2012), de Babis Makridis, 87 min, 14 anos

14 de junho (quarta-feira)
17h – Academia de Platão (2009), de Filippos Tsitos, 103 min, 14 anos
19h10 – Debate A Representação da Crise no Cinema Grego, com a presença do filósofo grego Theofanis Tasis

15 de junho (quinta-feira)
17h – Garoto que come alpiste (2012), de Ektoras Lygizos, 80 min, 16 anos
19h10 – Attenberg (2010), de Athina-Rachel Tsangari, 95 min, 18 anos

16 de junho (sexta-feira)
17h – Juventude Desperdiçada (2011), de Argyris Papadimitropoulos, 98 min, 16 anos
19h10 – Tungstênio (2011), de Giorgos Georgopoulos, 100 min, 16 anos

17 de junho (sábado)
16h – L (2012), de Babis Makridis, 87 min, 14 anos
18h – Xenia (2014), de Panos H. Koutras, 128 min, 18 anos

18 de junho (domingo)
16h – Dente Canino (2009), de Yorgos Lanthimos, 94 min, 18 anos
18h – Miss Violence (2013), de Alexandros Avranas, 99 min, 18 anos


As Sinopses

Academia de Platão (2009), de Filippos Tsitos, 103 min, 14 anos
Atenas, distrito Academia de Platão. Um pequeno e silencioso cruzamento com três tabacarias e um cachorro. Uma das tabacarias pertence a Stravos. Sua mulher o deixou e se recusa voltar. Sua mãe teve um derrame e ele precisa se ocupar dela integralmente. O hobby favorito dos três donos das tabacarias é contar a quantidade de chineses que cruzam suas lojas. É um hobby sem fim, porque os chineses parecem se multiplicar dia após dia. Eles param de contar apenas se passa um Albanês. Então, apostam se o cachorro vai latir ou não para o Albanês. Esse é o segundo hobby predileto deles. E assim eles passam suas vidas, ociosa e alegremente. No entanto, Stravos está sempre deprimido, triste, com insônias, e não sabe por qual motivo. Até que, um dia, um Albanês que, passando pelos três (e fazendo o cachorro latir), reconhece a mãe de Stavros como sua própria mãe há muito perdida.

Academia de Platão (800)

Alpes (2011), de Giorgos Lanthimos, 93 min, 18 anos
Quatro pessoas formam os “Alpes” e se chamam por nomes de montanhas. Tendo um ginásio de um colégio como ponto de encontro, eles são selecionados para substituir pessoas queridas e recentemente falecidas, ajudando as famílias em luto a lidarem com a perda. Incorporam os mortos com precisão, até nas roupas e no comportamento. Tudo corre como o planejado até o líder, Mont Blanc, pôr tudo a perder.

Attenberg (2010), de Athina-Rachel Tsangari, 95 min, 18 anos
Em uma pequena cidade, Marina, de 23 anos, mantém uma relação excepcionalmente próxima com seu pai, que está morrendo de câncer. O único conhecimento que ela tem sobre sexualidade vem do contato com sua amiga, chamada Bella, com quem pratica beijos. Uma das coisas que gosta é assistir programas sobre comportamento animal. Enquanto se prepara para a morte de seu pai, ela descobre mais sobre vida sexual com um engenheiro.

Garoto que come alpiste (2012), de Ektoras Lygizos, 80 min, 16 anos
Um menino de 22 anos em Atenas não tem emprego, dinheiro, namorada e nada para comer, mas tem um pássaro canário que canta com uma bela voz. Quando se encontra sem casa, ele procura um abrigo para o pássaro. Quando o pássaro fica preso dentro do abrigo, o menino tem que encontrar ajuda, alguém para confessar que não tem trabalho, dinheiro, namorada e nada para comer.

Dente Canino (2009), de Yorgos Lanthimos, 94 min, 18 anos
Pai, mãe e três filhos vivem nos arredores de uma cidade. A casa é isolada por uma alta cerca que os filhos nunca puderam ultrapassar. Eles são educados, entediados e exercitados da maneira que seus pais acham correto, sem nenhuma interferência do mundo externo. Acreditam que o avião que vêem passando no céu é um simples brinquedo e que zumbis são flores pequenas e amarelas. A única pessoa autorizada a entrar na casa é Christina, que trabalha no escritório do pai e visita o filho a fim de satisfazer suas necessidades sexuais. Toda a família gosta dela, em especial a filha mais velha. Um dia, Christina dá a ela uma bandana que brilha no escuro e pede uma outra coisa em troca.

Dente Canino (800)

Juventude Desperdiçada (2011), de Argyris Papadimitropoulos, 98 min, 16 anos
Um dia quente de verão. Um skatista de 16 anos e seus amigos se divertem na grande cidade. Um homem luta para cuidar de sua família junto ao emprego que odeia e um estresse crescente. Suas vidas se cruzam neste retrato contemporâneo da cidade de Atenas e de uma sociedade em crise.

L (2012), de Babis Makridis, 87 min, 14 anos
Um homem vive em seu carro. Tem 40 anos e, mesmo sem muito tempo livre, quando o tem, opta por ficar com sua família. Seu trabalho consiste dirigir, achar e colher mel para um senhor de 50 anos. Encontra-se, então, com sua esposa e dois filhos em dia e hora específicos no pátio do estacionamento. Um novo motorista aparece e o homem é demitido. Sua vida muda e ele acha um absurdo ninguém acreditar mais nele.

Meu País (2010), de Syllas Tzoumerkas, 107 min, 16 anos
O filme é a história de um país e de uma família em queda livre. Três gerações (a dos anos 50, a que cresceu durante a restauração da democracia nos anos 70 e a de hoje) se chocam irrevogavelmente sobre uma adoção que decidiram fazer há 20 anos.

Miss Violence (2013), de Alexandros Avranas, 99 min, 18 anos
No dia de seu aniversário, Angeliki, de 11 anos, salta da varanda e cai para a morte com um sorriso no rosto. Enquanto a polícia e os serviços sociais tentam descobrir o motivo desse aparente suicídio, a família de Angeliki continua insistindo que foi um acidente. Qual é o segredo que Angeliki levou com ela? Por que sua família persiste em tentar “esquecê-la” e seguir em frente com sua vida? Estas são as respostas que as pessoas dos serviços sociais procuram quando visitam a casa limpa e ordenada da família.

Os Sentimentais (2016), Nikso Triantafillidis, 100 min, 18 anos
Um velho e próspero burguês acima de qualquer suspeita, tem o apelido de “O Mestre” e vive isolado em uma luxuosa vila à beira-mar com sua filha adolescente que ele manteve bem protegida do mal do mundo exterior. Por trás do fascínio de vigoroso amante da arte, entretanto, ele prospera negociando ilegalmente antiguidades no mercado negro e empréstimos de usurpação. “O Mestre” tem dois capangas para fazer seu “trabalho sujo”, Hermes e John. Ambos cometerão um erro fatal: enquanto Hermes se apaixona pela filha de seu “Mestre”, John está obcecado com uma prostituta. Ambos pagarão um preço pesado por serem “sentimentalistas”.

Tungstênio (2011), de Giorgos Georgopoulos, 100 min, 16 anos
Um dia, em Atenas. Os distúrbios continuam até que, finalmente, a greve dos técnicos da companhia elétrica provoca um grande apagão. Nessa ocasião, a vida de seis pessoas muda. No escuro, a cidade se torna mais perigosa e os heróis passam de vítimas a depredadores.

Xenia (2014), de Panos H. Koutras, 128 min, 18 anos
Após a morte de sua mãe, Dany, de 16 anos, deixa Creta para se juntar ao seu irmão mais velho, Odysseas, que vive em Atenas. Nascidos de uma mãe albanesa e de um pai grego que nunca conheceram, os dois irmãos, estranhos em seu próprio país, decidem ir a Thessaloniki para procurar seu pai e obrigá-lo a reconhecê-los. Ao mesmo tempo em Thessaloniki, é realizada a seleção para o cult show “Greek Star”. Dany sonha que seu irmão Odysseas, um talentoso cantor, poderia se tornar a nova estrela do concurso, em um país que se recusa a aceitá-los.


Serviço

Mostra Cinema grego contemporâneo – Memórias da crise
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: de 06 a 18 de junho de 2017
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia.
Lotação: 78 lugares (mais três para cadeirantes)
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h

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