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O cineasta Nicholas Ray ou Nick Ray, nasceu em sete de agosto de 1911 e faleceu em 16 de junho de 1979. Ao longo dos seus sessenta e sete anos, o diretor realizou verdadeiras obras-primas. Nicholas é famoso por ter feito Juventude Transviada, que na época recebeu a tradução de Rebelde sem causa. Neste filme, as inquietações dos jovens são transpassadas  à tela, tendo James Dean interpretando o adolescente incompreendido. O cineasta influenciou os jovens franceses, que eram críticos e diretores da novelle vague, entre eles Godard, Chabrol e François Truffaut. Godard disse certa vez que acreditava que Nick era a expressão pura do cinema. A atmosfera de seus filmes permite o resgate dos anos cinqüenta, porque desmascara a hipocrisia da sociedade daquela época, como é o caso do filme “Alma sem pudor”, que no original pode ser traduzido literalmente, como nascida para ser má.

O longa-metragem de 1950 desconstrói o politicamente correto da convivência com o outro, injetando diálogos com perspicácia, humor negro e com aquela crença resignada e absoluta de que não se pode mudar a própria natureza. Hoje em dia, percebemos que o discurso do diretor ainda permanece contemporâneo e não ultrapassado. É como se só tivéssemos mudado uma época. Seus personagens comportam-se como heróis frágeis, palpáveis, que tentam sobreviver num mundo difícil de ser decifrado. Há ainda o filme Johnny Guitar, um faroeste, bem diferente dos clássicos de John Ford. O filme não agradou na época do lançamento, e só ganhou status de “cult” quando François Truffaut o elogiou e chegou a descrevê-lo como “A Bela e a Fera” dos gênero faroeste. Seus últimos filmes foram duas super-produções rodadas na Espanha. Um deles é “Reis dos Reis” e o outro é “55 dias em Pequim”. Neste período, Nick resolveu abandonar a direção e Hollywood, dedicando-se ao ensino universitário. O cansado cineasta lecionava a disciplina Cinema e Direção até meados dos anos 70, quando descobriu que tinha câncer. O diretor casou-se quatro vezes e teve os últimos momentos de vida filmados pelo cineasta Win Wenders.

Dois jovens, Thiago Britto e Eduardo Cantarino, tiveram a idéia e criaram a Mostra O Cinema é Nicholas Ray, que fica até o dia 04 de dezembro no Centro cultural Banco do Brasil, aqui no Rio de Janeiro e também em São Paulo. O curador Thiago Britto está aqui e conversa com a gente sobre características e curiosidades do cineasta.
ARQUIVO! Ouça a íntegra do programa Vertentes do Cinema no site www.radiouerj.com.br
 
 
A “Dicas para não sair de casa” da semana destaca três filmes do diretor Nicholas Ray,
que podem ser alugados na Locadora Cavideo, localizada na Cobal do Humaitá.
 
A primeira dica é o filme “Reis dos Reis”, de 1961, um dos últimos da carreira do diretor, rodado na Espanha, sobre a vida de Cristo, tendo o ponto marcante, a cena do Sermão da Montanha. Ray dirigiu com muita competência, além dos atores, sete mil figurantes. Mesmo não conseguindo o controle total da direção, por causa do produtor, é um belo filme e merece ser visto.
A outra dica é o filme “Cinzas que queimam”, de 1951, que aborda um policial interpretado por Robert Ryan, estando nitidamente afetado pelo desencanto e pelo ambiente em que vive, passa a agredir de forma violenta os criminosos que persegue. Imperdível.
A última dica é o filme “Horizontes de Glórias”, também de 1951, que traz no elenco John Wayne. Tem como palco a guerra do Pacífico Sul, durante a Segunda Guerra Mundial. O major Dan Kirby assume o comando do esquadrão de caças e encontra resistência de seus comandados. Não perca!

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