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O cineasta brasileiro Nelson Pereira dos Santos nasceu no dia 22 de outubro de 1928, em São Paulo. É formado em Direito, mas nunca abandonou o interesse pelo estudo da relação recíproca entre o homem e o meio ambiente. Nelson realizou verdadeiras obras-primas. Uma delas é o filme “Vidas Secas”, baseado no livro de Graciliano Ramos. É perceptível a influência marcante do neo-realismo italiano. O diretor questiona a fome, a seca, os problemas sociais de uma família de retirantes, que atravessa o sertão em busca de meios para sobreviver. Se aprofundarmos as características do cinema de Nelson Pereira dos Santos, podemos perceber a influência explicita da geografia, porque transpassa a vontade de conhecer o lugar que se vive para compreender e planejar o espaço onde se vive.
A geografia é definida como uma ciência que tem por objetivo o estudo da superfície terrestre, de forma física, e a distribuição espacial de fenômenos significativos na paisagem. O cineasta busca o lado humano, econômico e pessoal da geografia, tão presente no dia-a-dia de todos nós. Este lado é afetivamente valorizado em razão de crenças que conferem naturalidade a cada parte do espaço. Nelson participou do movimento Cinema Novo, que consiste em um grupo de jovens descontentes com a falência das grandes companhias cinematográficas de São Paulo. Esse grupo resolveu lutar por um cinema com mais realidade, mais conteúdo e menor custo. Esta fase está bem representada no filme “Rio, 40 graus” de 1955.
É um cineasta que possui um imenso amor pelo Brasil e por seus moradores. Em seus filmes, não há julgamento externo, apenas dos próprios personagens que criticam uns aos outros, questionando e levantando inúmeros problemas sociais. Tudo é recheado com senso de humor debochado e transgressor. Na filmografia do diretor, há ainda os filmes “Rio Zona Norte”, “Como era gostoso o meu francês”, “Amuleto de Ogum”, “tenda dos milagres” e “Cinema de Lágrimas”, entre outros. O Brasil que o diretor se propôs a retratar em seus filmes era grande demais para caber em versões oficiais, pois era o país dos favelados, dos flagelados pela seca, dos artistas do povo, do universo mágico popular, dos intelectuais em crise e dos atuantes diante dos regimes ditatoriais.
Para entender melhor o universo do cineasta Nelson Pereira dos Santos e a influência da geografia propriamente no cinema e na música, o programa conversa com o Professor Doutor André Reyes Novaes, que ministra a disciplina Geografia e Cinema, atuando principalmente nos temas: geografia e imagem; cartografia e imprensa; geografia e educação. Temos também aqui conversando com a gente, o Professor Doutor João Baptista Ferreira de Mello, que ministra a disciplina Geografia e música e é coordenador dos Roteiros Geográficos do Rio e do Negha Rio – Núcleo de Estudos Geográfica Humanística, Artes e Cidade do Rio de Janeiro, atuando nos temas lugar, espaço, símbolos e indivíduo.