
Tudo Sobre o que acontece na Mostra de Tiradentes 2026
O evento mineiro abre o calendário oficial de festivais de cinema do Brasil e traz uma pluralidade de pautas, sotaques, filmes, encontros e homenagens
Por Francisco Carbone
A Mostra de Cinema de Tiradentes, que chega à sua 29ª edição, de 23 a 31 de janeiro de 2026, corrobora ser um “espaço de encontro, reflexão, formação, exibição e difusão do cinema brasileiro contemporâneo”, exatamente assim como o próprio festival se define no site oficial. O Vertentes do Cinema faz a cobertura do evento mineiro desde 2015 e por dois seguidos, eu, Francisco Carbone, em 2017 e 2018, representei site como imprensa. E neste 2026 retorno como vertenteiro. Desde sempre a família da Mostra de Cinema de Tiradentes mantém-se unida, com a curadoria de Francis Vogner dos Reis (como Coordenador Curatorial e Curador de Longas), ao lado dos curadores de longas Juliana Costa, Juliano Gomes, tendo a assistência de Bárbara Bello. Para a de curtas-metragens, a curadoria também praticamente se mantêm com Camila Vieira, Leonardo Amaral, Lorenna Rocha, Mariana Queen Nwabasili, Rubens Fabricio Anzolin e com a assistência de João Rêgo.
Assim, após a escolha final das obras da 29ª edição, a etapa seguinte é escalar o Júri Oficial para votar nos selecionados (em um total de 30), que é composto por Álvaro Arroba (Professor, editor e programador – Argentina, França e Espanha); Daniela Giovana Siqueira (Professora e pesquisadora matogrossense); Darks Miranda (Artista visual e cineasta cearense); Hermano Callou (Crítico e pesquisador pernambucano); e Renato Novaes (Ator e professor mineiro). Já para o Júri de Formação: Anne Santos (Realizadora, Técnica de som e cineclubista carioca); Estevão Garcia (Professor, crítico e pesquisador goiano); e Gustavo Jardim (Realizador Audiovisual, curador e educador mineiro). Para o Júri Jovem, foram convidados o sergipano Breno Silva (23 anos, estudante do 8º período de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal de Sergipe); o mineiro Esdras Ananias (24 anos, estudante do 7º período de Comunicação Social – Cinema e Audiovisual da PUC Minas); o paranaense Juno Lima (24 anos, estudante do 8º período de Produção Audiovisual no Instituto Federal do Paraná); a gaúcha Manu Couto (22 anos, estudante do 5º período de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul); e a mineira Nayara Aguiar (25 anos, estudante do 10º período de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais). E o Júri da Abraccine (o Prêmio da Crítica): Bruno Carmelo (Meio Amargo – São Paulo); Juliana Gusman (Sara y Rosa – Minas Gerais); e Luiz Joaquim (Cinema Escrito – Pernambuco).
A Mostra de Cinema de Tiradentes, que é realizada pela Universo Produção e tem à frente a Coordenadora Geral Raquel Hallak d’Angelo; o Coordenador Técnico Quintino Vargas Neto; a Coordenadora de logística Fernanda Hallak d’Angelo; e as Produtoras Executivas Camila Lana; Cecília Gabrielan; Laura Tupynambá; e Vivian Britsch, já começou. E como sempre bem intensa.
O dia 1 de um festival tem sempre o mesmo sabor: excitação + empolgação + cansaço + alegria. Todos esses sabores estão disponíveis e misturados, e muitas vezes o cansaço é o vencedor, ao fim e ao cabo. Viagens longas, deslocamentos insanos e o corpo pedindo descanso em paralelo às luzes e às músicas. 24 horas depois, tudo está difuso e a mistura faz bem aos sentidos. O que acontece então nesse primeiro ato de um festival? Em Tiradentes, é o tradicional dia da homenagem, e de uma festa que geralmente carrega muito das tradições locais, sempre carregando beleza às suas tradições.
Karine Teles foi o nome máximo no palco ontem, mas antes dela a apresentação de artistas locais nos colocou mais uma vez no mapa da cidade, com sua mistura de poesia, artes visuais na figura de um boi rodopiante e a sempre feliz presença do teatro. A lembrança dos encantados Teuda Bara (foto no topo desta matéria) e Lô Borges nos lembrou do fugaz da vida, que é homenagem em um dia, e no seguinte já é História.
No telão, o Canal Brasil fez seu sempre peculiar vídeo de homenagem, com Teles fulgurante, fora e dentro das telas. Sua presença com o Troféu Barroco em mãos, entregue pelos filhos que assistimos crescer (atores em “Benzinho“, por exemplo), é a prova de que o cinema de guerrilha pode exportar para o centro das conversas figuras de tamanho inimaginável; quem poderia imaginar que a roteirista e atriz de algo tão sensível e quase experimental quanto “Riscado” se transformaria em estrela global, contrariando as previsões da obra?
Após ela, Julio Bressane e Rodrigo Lima foram ao palco para apresentar o filme de abertura, seu “O Fantasma da Ópera“, obra que bebe dos fazeres do clássico diretor de “Matou a Família e Foi ao Cinema” para reimaginar o documentário de bastidores como uma peça de ficção assombrada. O pedido de paciência de Bressane ao público presente deu a certeza reafirmada de que assistiríamos ao tradicional cinema de invenção do mestre, e fomos recompensados por um curta-metragem de beleza arredia, mas definitivamente assertiva.
A noite foi aberta no palco pelas palavras sempre emocionadas da criadora da Universo Produção e coordenadora de eventos Raquel Hallak, que é incansável batalhadora e mantenedora de rédeas firmes dentro da cadeia alimentar do nosso cinema. Seu olhar cheio de delicadeza, em contraposição à força que emana de sua presença, é sempre um alento ao que observamos dentro de Tiradentes e que vaza para tantos outros eventos, que precisam de uma dose de Hallak para que seus esforços sejam efetivos na concretização de um sonho continuamente possível como é o de levantar algo do tamanho desse festival, que segue a passos largos rumo ao trigésimo aniversário. E esse foi só o primeiro dia…
Mostra de Tiradentes 2026: Raquel Hallak conta todas as novidades



