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O Cinema de Almodóvar

Pedro Almodóvar Caballero nasceu em 24 de setembro, entre 1949 e 1951 (o ano verdadeiro é um mistério), na Calzada de Calatrava, província de Ciudad Real. Ele é cineasta e roteirista espanhol. O início de sua vida artística é bem curioso, já que nunca pôde estudar cinema, porque nem ele nem sua família tinham dinheiro para pagar seus estudos. Antes de dirigir filmes, Almodóvar foi funcionário da companhia telefônica estatal; desenhou histórias em quadrinhos; foi ator de teatro avant-garde e cantor de uma banda de rock, da qual participava travestido. Ele experimentara cinema nos curtas-metragens “Dos putas, o historia de amor que termina en boda”, “Film político”, “Blancor”, “El sueño, o la estrella”, “Homenaje”, “La caída de Sódoma”, “Muerte en la carretera”, “Sea caritativo”, “Sexo va, sexo viene” e “Salomé”, de 1974 a 1978. Resolveu ingressar no estágio de longa-metragem com “Folle… folle… fólleme Tim!”, um filme não-comercial rodado em Super-8 e estrelado pela amiga e atriz Carmen Maura. Seu reconhecimento veio com “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão”, uma comédia de deboche escracho que transgredia as regras sociais, as drogas psicotrópicas e o próprio cinema em si. Percebia-se de imediato um estilo diferenciado. Com “Labirinto de Paixões” e “Maus Hábitos”, definitivamente imprimiu a sua marca. O seu cinema começou a ser chamado de Kitsch. Este gênero é definido por categorizar objetos de valor estético distorcido e/ou exagerado, que são considerados inferiores ao seu original. São, freqüentemente, associados a chavões, e em algumas vezes, considerados bregas. Porém o que o cineasta faz distancia e muito esse conceito de suas obras. Uma das características predominante é o uso saturado das cores. Logo, as cores de Almodóvar, imortalizado na música “Esquadros” da cantora Adriana Calcanhoto. Ele não parou “Que fiz para merecer isso?”, “Matador”, “A Lei do desejo”. Em muitos trabalhando com seus atores favoritos, um deles Antonio Banderas, que depois de famoso ficou alguns anos sem falar com o diretor por causa de cenas homossexuais interpretadas. Os seus temas são recorrentes e autobiográficos. A figura da mãe, do gay, do sexo liberal, da culpa, da punição, da entrega passional de seus personagens, tudo pode ser explicado conhecendo a sua vida. Se a definição se faz necessária, vamos a ela. Almodóvar é passional, puro, inconstante, agitado, impulsivo, homossexual assumido e possui uma ligação de co-dependência com sua progenitora, que a insere em todos os seus filmes. Com isso, a sensibilidade é exacerbada, fazendo com que possa abordar temáticas complexas e profundas em tom sublime de amadorismo rebuscado e experimental editado, utilizando a metalinguagem do clichê pelo clichê. Assim como na matemática, menos com menos dá mais. Neste caso, a mesma formula é válida e validada. Seguiu em frente com “Mulheres a beira de um ataque de nervos”, “Ata-me”, “De Salto alto”, “Kika”, “A Flor do meu segredo”. Ele usou e abusou de quase todos os recursos estéticos cinematográficos, sempre respeitando o seu gênero inventado. Quando o espectador pensava que nada mais poderia ser acrescentado em sua obra, daí aparece Pedro, de novo, e cria uma obra de arte atrás da outra. Com “Carne Trêmula”, “Tudo sobre minha mãe” e “Fale com Ela”, por este último, ele foi o primeiro espanhol a ser indicado ao OSCAR de melhor diretor em 2002. Estes três filmes transpassaram a sensação de que o gênio estava sendo superado por ele mesmo. A sua carreira inclui ainda “Má Educação”, com Gael Garcia Bernal, “Volver”, com Penélope Cruz e “Abraços Partidos”. Uma filmografia completa – e as referências que fizeram deste diretor ser o mais querido de todos – que pode ser conferida na mostra “El Deseo”. O seu mais recente filme “La Piel que Habito”, foi exibido no Festival de Cannes deste ano. O diretor disse, durante coletiva que se inspirou no cirurgião plástico Ivo Pitanguy para criar o personagem de Antonio Banderas. “Situei essa família no Brasil porque o país tem uma grande tradição de cirurgia estética. Um dos primeiros cirurgiões plásticos de que ouvi falar foi Ivo Pitanguy, que é brasileiro. Mas também quis dar essa origem brasileira porque precisávamos de uma família selvagem, que não tivesse tradição cristã da punição, como nós espanhóis temos”.

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