Nunca deixe sua colega de quarto com ciúmes! E ou nunca deixe um cientista nerd fracassar!

Por Fabricio Duque


Sim. o espectador já viu este filme e seu tema parece reverberar a cada obra. Ainda que novas tramas sejam desenvolvidas, a premissa é a mesma, em que o protagonista fica preso em um túnel do tempo, um loop ciclo de um dia, que terminará até que mude as atitudes de sua vida. Descobriu? A referência é o filme “O Feitiço do Tempo”, de Harold Ramis, um clássico do início dos anos noventa. Muitos longa-metragens e séries já utilizaram desse artifício para construir suas histórias abordaram isso, como a nova da Netflix, “Boneca Russa”, e “A Morte Te Dá Parabéns”, em questão aqui nesta análise crítica.

Quando a “A Morte Te Dá Parabéns”, do diretor Christopher Landon (“Como Sobreviver a um Ataque Zumbi”), foi lançado, o público pode reviver a experiência da saga “Pânico”, em um suspense-terror voltado ao público jovem. A semelhança acontece pela presença de um assassino que usa uma máscara de bebê (arquétipo mascote de comemoração da universidade) e pela pistas deixadas para descobrir quem é o autor das mortes. E o porquê.

Tree (Jessica Rothe) é uma jovem estudante que trata mal os meninos, desdenha das amigas e não parece estar muito disposta a atender as ligações do pai no dia do aniversário dela. No fim do mesmo dia, no entanto, ela é brutalmente assassinada por um mascarado. Acontece que ela “sobrevive”, ou melhor, acorda no mesmo e fatídico dia, numa espécie de looping macabro, que termina sempre com a morte da garota. Repetir, seguidamente, o mesmo dia, por outro lado, dá a Tree a chance de investigar quem a está querendo morta e o porquê.

Mas no filme de 2017, a novidade era o carma cósmico. A oportunidade que o universo arquitetou a fim de a personagem se redimisse da vida “não legal” que levava e se tornasse uma pessoa melhor. Um jogo cruel de auto-ajuda. Cada vida que Tree revivia gerava o conserto de erros que cometeu no passado. É uma metáfora filosófica da vida. Cada dia, uma reencarnação, ilimitada de vidas, tudo no dia mais especial e simbólico de sua vida: seu aniversário. Ela, uma patricinha mimada, uma das mais populares de uma fraternidade, aprende a morrer todo dia. Outra metáfora de nossa existência. É seu acerto de contas com o destino, conectado, desengonçado e facilitador.

“Reviver o mesmo dia você reconhece quem é de verdade”, diz. Pois é, se no primeiro filme é criado uma atmosfera abstrata e sobrenatural, na continuação, “A Morte Te Dá Parabéns 2”, também dirigido por Christopher Landon, a sensação é conduzida pela lógica da física e suas infinitas possibilidades de tempo e espaço. É mais científico, mais nerd, mais à moda de “The Big Bang Theory”, mais cômico e mais propositalmente zoado. Neste, os espectadores encontram as respostas às perguntas do anterior.

“A Morte Te Dá Parabéns 2” imprime uma narrativa mais despreocupada e mais despretensiosa, e talvez por este detalhe solte demais as pontas, o deixando excessivamente livre. O que surpreendeu no primeiro, volta neste, desde o início na própria vinheta logo da Universal. A história agora segue o amigo de Carter, o que entra no quarto e faz o comentário “Delícia”. Os mesmos detalhes e acontecimentos: a aluna da petição, como por exemplo.

Depois de morrer diversas vezes para quebrar o feitiço temporal que a mantinha presa no dia de seu aniversário, Tree Gelbman (Jessica Rothe) olha para o futuro, tentando escrever uma nova história ao lado de Carter (Israel Broussard). No entanto, quando um experimento científico dá errado, a jovem é forçada a retornar ao fluxo de repetição e, desta vez, morrer não será o bastante para escapar.

“A Morte Te Dá Parabéns 2” utiliza-se da mecânica quântica para fazer ironia com a “gostosa burra” que precisa decorar as fórmulas para se salvar. A morte espreita. Com a mesma máscara. E o mesmo dia.

Uma das curiosidades da sessão para imprensa é que ocorreu em uma segunda-feira, dia 18, a mesma data da história do filme. Coincidência? Será que os críticos estão há dias na mesma repetição?

Retóricas à parte, o suposto déjà-vu modifica os rumos e adiciona novos elementos ao Efeito Borboleta e sua Teoria do Caos, em que um bater de asas de uma borboleta em um lugar distante pode alterar drasticamente o fluxo temporal do universo. Será que o ciclo foi quebrado e ele é a vítima da vez? “Talvez seja Inception (“A Origem”, de Christopher Nolan), um sonho dentro de um sonho”, busca explicações. Tudo está diferente.

Neste momento, Tree já aprendeu a sobreviver e ou a morrer. Com coragem “bad-ass”, aceita aprender sobre o “projeto de ciências” do “tempo molecular desacelerado”. Então, será que tudo não passou de um acaso acadêmico frustrado? E quando nada poderia ficar estranho, novas teorias são importadas, como um clone que coexiste em outra dimensão. Ah, e o mistério do que Carter procura, é finalmente desvendado.

Com câmera microscópica (à moda de “X-Men”) e ópera, “A Morte Te Dá Parabéns 2” quer viajar mais na batatinha, principalmente quando cita vetor euclidiano, Marty McFly, do filme “De Volta Para o Futuro” e a “Teoria do Multiverso” (um exemplo deste é a animação “Homem-Aranha e o Aranhaverso”).

Nesta dimensão, tristezas tornam-se passionais alegrias. E Tree precisa repetir o mesmo cotidiano até conseguir fechar o ciclo. Mas como decidir? Deixar o passado para trás ou viver uma fantasia projetado do presente? “Dor e perda é o que faz você ser quem é. A vida é tomar decisões difíceis”, diz-se. É um salto no escuro. Passado e futuro em direções diferentes.

Mesmo com o final tendencioso ao sentimental, com suas redenções, seu humor mais pastelão, com seus acertos de contas emocionais, discursos de efeito, a continuação funciona e cumpre seu papel: de entreter, divertir e de explicar pontas soltas do original, cantando “Stayin’ Alive”, dos Bee Gees. O que aprendemos nisso tudo: deixe o “idiota” para sua colega de quarto e não coma Cupcake no aniversário. E tudo por amor! E parabéns!

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