Encontre o Rei dentro de você!

Por Fabricio Duque


Nunca foi e ainda não é fácil um ser humano existir como indivíduo social. O mundo pode ser traduzida como uma experiência em que uns são obrigados a conviver com os outros, todos estes em suas mais intrínsecas idiossincrasias e individualidades condicionadas. Desde uma certa modernidade de vida, principalmente pelo livro “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, de, busca-se consertar a humanidade com mensagens de auto-ajuda, que são re-ensinamentos de virtudes e honras. A nova versão da saga literária, “O Menino Que Queria Ser Rei”, do diretor Joe Cornish (de “Ataque ao Prédio”), importa esta premissa e adiciona que a “união faz a força”. Os quatro cavaleiros tão diferentes entre si precisam descobrir a amizade incondicional não oportunista e não manipuladora para salvar a humanidade e a si próprios.

O tom infanto-juvenil, que infere a um “Harry Potter” menos mágico e mais aventureiro, não tira a qualidade técnico. Pela contrário, os artifícios narrativos, como o preâmbulo animado em estrutura do livro mencionado acima, são utilizados com equilíbrio e dosados com ritmo cadenciado da montagem. Em uma Londres épica, de segredos escondidos, de guerras iminentes e de músicas-efeito de suspense-aventura social, o filme aborda questões mundanas e já “condicionadas” dos pré-adolescentes, como Bullying. E a fraqueza que causa a covardia que faz “pagar por privilégios”.

Alex (Louis Serkis) é um garoto de doze anos que enfrenta problemas no colégio, por sempre defender o amigo Bedders (Dean Chaumoo) dos valentões Lance (Tom Taylor) e Kaye (Rhianna Dorris). Um dia, ao fugir da dupla, ele se esconde em um canteiro de obras abandonado. Lá encontra uma espada encravada em uma pedra, da qual retira com grande facilidade. O que Alex não sabia era que a espada era a lendária Excalibur e que, como seu novo portador, precisa agora enfrentar a meia-irmã do rei Arthur, Morgana (Rebecca Ferguson), que está prestes a retomar seu poder. Para tanto, ele conta com a ajuda do mago Merlin (Angus Imrie), transformado em uma versão bem mais jovem.

“O Menino Que Queria Ser Rei” acerta na decisão de imprimir uma atmosfera de humor tipicamente inglês, rabugento, agressivo e ingênuo. De “Burro e Shrek”. “Não banque o herói com outro rei”, diz-se. Essa fábula moderna busca ressignificar vilões, embasando com causa passada a brutalidade do presente, e de estimular a volta da “esperança para a mágica” e a “verdade primeiro de tudo”. É também um filme metáfora. De sinais que vão da fantasia dos esgotos, bruxas que querem voltar para dominar o mundo, a voz estilo Gollum, de “Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson. De truques de duplicação. De reiniciar a própria história e não aceitá-la pronta e já “Maktub” escrita. Das ruínas à salvação e à aceitação da força interna. Sim, é filosofia existencialista.

Alex, sozinho, chama por algo. Sem opções, precisa acreditar “desesperadamente” na força de se tornar um super-herói. Nem que seja apenas estimulado pela imaginação em uma viagem à moda de “Onde Vivem os Monstros˜, de Spike Jonze em versão Guy Ritchie para menores. Mais para “Mary Poppins”. Até que “a espada retorne a seu rei”. “Uma experiência social? Uma coisa de youtube?”. Sim, é difícil aceitar o novo tão fantasioso. Com “Reino” e “Eclipse”. De ser um “Thor” real. Tudo tende a ser uma mera brincadeira. Um Game of Thrones talvez? Ele só foi o “escolhido para salvar o mundo e o reino da destruição total”. Neo de “Matrix”? Seu destino e seu “carma”.

“O Menino Que Queria Ser Rei” é também sobre as diferenças raciais e de geográficas, tão normais nos dias atuais. Alex, o rei, é um menino não rico. Seus adversários, agora seus “servos”, são um branco loiro e uma mulher negra. E seu fiel amigo, um indiano gordinho. Entre Morgana, alquimia, submundos perdidos, feitiços, guardiões, batalhas com demônios, a ajuda Merlin ( com camisa do Led Zeppelin – um que de “Professor Xavier” do “X-Men”, até porque o ator é o mesmo), o filme, que faz com que o espectador lembre do seriado desenho animado “Caçadores de Trolls”, em cartaz no streaming Netflix, é sobre o “caminho que se escolhe”. Uma decisão de cada um. Contra crianças mimadas e arrogantes. E com classes sociais unidas na guerra. Pelo portal em Stonehenge. Com “árvores professoras”.

Cada um deles possui uma identidade. E falhas de caracter que precisam ser consertados. E todos são adjetivados. Ganância, imaturidade, o apoio em um mito, desonestidade, mentiras, egoísmo, covardia, desonra etc. Mas são ensinados a ter o “código de cavaleiro” (e não que o “mundo funciona pelo mal” e que é “podre”), o “alicerce da sociedade”, a ser “puros de coração”. “A amar, sem agressão gratuita, falar sempre a verdade e perseverar até o final”. É a jornada do treinamento que ensina valores a crianças perdidas. Alex torna-se líder, não seguidor, ganha o poder de “reescrever a lenda”. De ser nobre e honesto. De honrar quem se ama. É a luta do bem e do mal. Da feliz positividade contra “pessoas contra pessoas para distrair”. São “ignorantes”, mas há “uma alma sábia em cada criança”. E “uma tola em uma alma velha”. “O Menino Que Queria Ser Rei” é um documento moral, modernizado a novos jovens que são criados por pais ainda mais deseducados. Taí uma auto-ajuda que funciona!

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