Um amontoado de clichês embaraçosos

Por Pedro Guedes


Kéfera Buchmann foi uma das primeiras youtubers brasileiras a atingirem a marca de um milhão de inscritos, postando sua obra no canal “5inco Minutos” desde julho de 2010 e se estabelecendo como uma das principais personalidades da websfera brasileira. Confesso que nunca acompanhei de perto a trajetória da Kéfera: devo ter visto meia dúzia de seus vídeos e só costumo saber dela quando vejo seu nome nos “Trending Topics” do Twitter. Por outro lado, sei também que a youtuber curitibana sempre sonhou em se tornar atriz, o que começou a virar realidade quando estrelou “É Fada!”, em 2016 (e o resultado foi simplesmente massacrado pela Crítica).

O que nos traz ao novo projeto estrelado por Kéfera: “Eu Sou Mais Eu” – que é quase tão ruim quanto parece ser. Talvez seja um pouco superior a “É Fada”, mas… isso não quer dizer nada, não é?

Escrito por Angélica Lopes e por L.G. Bayão, este novo longa conta a história de Camila Mendes, uma popstar que foi inteiramente consumida pelo ego e, portanto, vive maltratando todos ao seu redor (inclusive os fãs). Após reencontrar – e brigar com – uma antiga inimiga de escola, Camila resolve voltar para casa e é surpreendida pela visita (leia-se: intromissão) de uma estranha “fã número um”, que imediatamente lança um feitiço que transporta a mente de Camila para o corpo de sua versão adolescente em 2004. Assim, a popstar acorda na época em que frequentava o colégio, sofria bullying e contava somente com a ajuda de seu amigo Cabeça.

Tudo isso, claro, para aprender o valor da humildade. Ou seja: é uma historinha boba que inclui todos os clichês já vistos em várias daquelas comédias norte-americanas que se concentram em estudantes do ensino médio (geralmente vividos por adultos que fingem ser adolescentes – e “Eu Sou Mais Eu” não foge à regra). A protagonista é uma popstar charmosa e bem-sucedida que se compara à Anitta, mas que no passado era uma adolescente tímida, deslocada e ridicularizada por todos ao seu redor; há um momento em que esta garota socialmente desajustada resolve se transformar na garota mais popular do colégio, alterando sua aparência e tratando todos com irreverência (o que gera conflitos familiares e o afastamento de seu melhor amigo); e até mesmo as meninas que praticam bullying com Camila surgem como uma versão sem graça das vilãs de “Meninas Malvadas”.

E isso só é agravado pela direção medíocre de Pedro Amorim, que, além de emular o estilo das comédias colegiais hollywoodianas sem exibir nenhum tipo de imaginação, ainda investe em uma decupagem mais apropriada a um episódio de “Malhação” do que a um filme feito para ser projetado em tela grande – chega um momento em que os planos fechadíssimos começam a dar agonia. Mas nenhum nome em “Eu Sou Mais Eu” é capaz de irritar tanto quanto o de Tami Belfer, que compõe uma trilha musical simplesmente insuportável e que faz questão de mastigar todas as cenas para o espectador, das mais engraçadinhas às mais dramáticas (e o pior: a trilha se mantém do primeiro ao último instante, não parando para respirar em instante algum).

Para completar, é injusto dizer que Kéfera Buchmann está mal no filme: sim, a espontaneidade que a youtuber costuma exibir em seus vídeos está presente aqui, não soando como uma performance mecanizada de alguém que apenas ligou o piloto automático. O problema é que o material oferecido à atriz oscila entre piadinhas patéticas e diálogos expositivos – e não há carisma que possa resistir a um roteiro e a uma direção tão ruins. Dá para afirmar, inclusive, que ainda há esperança para Kéfera nos cinemas; basta escolher um projeto melhor.

Contando com a presença de Arthur Kohl, que estabelece o avô de Camila como uma das únicas figuras minimamente interessantes deste filme, “Eu Sou Mais Eu” mal consegue aproveitar o recurso da viagem no tempo, já que, mesmo resgatando alguns itens que eram recorrentes no começo do século 21 (como walkmans e celulares com botões esborrachados, com o famoso “jogo da cobrinha”), comete alguns tropeços que enfraquecem a reconstituição de época.

Há um momento em que Camila e Cabeça visitam uma locadora e, ao fundo, estão presentes os DVDs de “Kick-Ass” e de “À Prova de Morte”. Mas espera aí… “Eu Sou Mais Eu” não se passa em 2004, anos antes de ambos os filmes serem lançados?

Oh, céus…

  • Percebemos que o crítico não soube fazer uma crítica construtiva e só soube dar uma mera opinião pessoal que passa longe de ser uma crítica. A sua escrita é pobre e infantil tornando o texto, infelizmente pueril. Percebemos também que o autor da crítica tem pouco conhecimento cinematográfico pois não soube identificar que o filme satiriza o amontoado de clichês que ele diz que o filme tem. Sem contar que ele não soube sequer comentar de forma imparcial sobre os aspectos cinematográficos da obra que estão inegavelmente bem acabados. Se esse é o futuro da crítica no país, nós estamos perdidos.

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