Top 10 Curtas-Metragens


 

1) “Guaxuma”, de Nara Normande

Misturando diferentes técnicas de animação em areia, a cineasta trabalha em camadas para apresentar uma ode a amizade e ao companheirismo. Um recorte de sua própria vida, e uma história tratada de forma lúdica e que atravessa a infância, a adolescência e a vida adulta, até conseguir misturar essas texturas de animação, criando uma simbiose do tempo. Uma história de amor que todos nós já vivemos contada de uma forma única.

 

 


 

2) “Torre”, de Nádia Mangolini

A ditadura, um dos piores períodos da História do nosso país, é revisto no filme de Nádia Mangolini com delicadeza. Através dessa animação documental, vemos uma família refém dessa tragédia separada por uma prisão, a Torre das Donzelas. Extraindo lirismo de um lugar que gerou violência, a diretora uniu os relatos familiares que conseguiu à animação inspirada que traduz todo o horror sem explicitar nada. O resultado é um foco de esperança e humanidade em meio a dor.

 

 


 

3) “Solon”, de Clarissa Campolina

O curta metragem é um dos formatos mais propícios ao experimento, e muitas vezes uma ideia maior surge a partir de veículos mais rápidos. Clarissa filma um cenário desértico, onde uma criatura se comporta como em um transe performático. Os elementos estão a disposição, terra, ar, água e fogo, a alimentar de vida o espaço cênico. Tudo em disposição permite a criação de um espaço ainda não-terrestre, mas possível de significados e capacidade vital. Um espaço de criação, de origem, fotografado com excelência por Ivo Lopes Araújo e tendo na própria Clarissa o símbolo da criação. Belíssimo.

 


 

4) “Reforma”, de Fábio Leal

O ato de expor é filmar um corpo é político; se esse corpo não é o que a sociedade espera dele, essa conotação se duplica. Fábio tem essa consciência e filma uma ficção em cima de si mesmo. Fábio é diretor, roteirista e seu próprio ator, com o corpo exposto à clamar por espaço e por representatividade. Ele se diz insatisfeito, mas ao mesmo tempo filma seu incômodo recôndito e sua exposição sem vergonha, uma prova de evolução do diretor de ‘O Porteiro do Dia’ e de como a metalinguagem saiu dos padrões e agora filma o novo prazer e a nova beleza, aqueles que já se permitem.

 


 

5) “Universo Preto Paralelo”, de Rubens Passaro

Documentário produzido a partir de antigas gravuras escravocratas como as de Debret, o filme serve para que guardemos o nome de seu diretor, que propõe a reflexões em cima desses quadros intercalando essas imagens a depoimentos na Comissão da Verdade, o que provoca um paralelo entre a escravidão e a ditadura, com resultados impressionantes. Impossível sair indiferente do jogo de áudio e montagem de Passaro, que compreende sua importância em discussão social de hoje e de sempre, mostrando o quadro ainda revoltante, seja no fim do século 19, nos anos 70 ou atualmente.

 


 

6) “Plano Controle”, de Juliana Antunes

Após a explosiva e premiada estreia em longas com ‘Baronesa’, Juliana quis se divertir com esse painel da pressão da tecnologia hoje e provavelmente no futuro. Partindo de criativa narrativa que mostra o teletransporte através de plano de dados de celular, o filme já teve sua es espetacular montagem premiada e versa sobre a segregação moderna, que divide as pessoas entre as que tem algo e as que não tem, que vivem a margem do desejo. Com a participação impagável de Uirá dos Reis, Juliana cria uma fábula com sabor de ‘Black Mirror’ e acena para o horror do futuro, justamente por não mudar nada para melhor a quem mais precisa.

 


 

7) “Boca de Loba”, de Bárbara Cabeça

Um grupo de mulheres entra por um bueiro e lá cria um universo particular de resistência e combate, que clama por individualidade ao mesmo tempo em que mostra a força do coletivo, da união contra o medo. Bárbara Cabeça tem tanta certeza do que quer, do que filma, de sua própria voz, que não parece tão jovem. Ao mesmo tempo é isso que faz a tela explodir em potência e em linguagem cinematográfica, com a diretora criando um amálgama entre performances para destacar o poder do feminino e da importância de suas particularidades.

 


 

8) “Férias para Sempre”, de Gabriel Papaleo & Pedro Tavares

A cidade, suas luzes, suas cores, seus sons, tudo engole os seres, e regurgita aspirações, sonhos e questões sociais prementes. Uma sociedade às raias de desaparecer, de ser sugada de seu lugar de origem, uma sociedade que mastiga e joga fora tudo que é diferente, imprestável. Pedro e Gabriel conseguem criar imagens que nascem icônicas na madrugada perambulante de dois amigos, de realização inebriante. Em meio a chuva, a espera, aos diálogos sobre querer mais (da noite e do futuro), essa ficção científica do hoje mostra que as relações sociais são o nosso monolito; como traduzir a inquietação?

 


 

9) “Sweet Heart”, de Amina Jorge

Um despertar sexual mecânico, de paixão relativa, simboliza a necessidade de interação entre etnias diferentes, com seus quereres diversos, com suas urgências e seus tempos, e seu particular olhar para o próximo. A diferença como porta de entrada do desejo, a ebulição juvenil fazendo expandir as percepções para além da sexualidade. Amina diz que é tempo de ir além do esperado e se conectar ao outro de diferentes formas, de diferentes olhares e com diferentes resultados. Um dos filmes mais singelos da temporada, sem jamais perder a urgência.

 


 

10) “Não Falo com Estranhos”, de Klaus Hastenreiter

Uma história de amor que não pediu pra ser, apenas é. E como nos nossos tempos voláteis e inflamados, é tão intensa quanto fugaz. Klaus Hastenreiter utiliza inspirações cinematográficas, fragmentos de discursos imagéticos e narrativos, e costura com brilho (eterno?) um roteiro moderno, elíptico, sucinto e muito bem realizado – em montagem exemplar – sobre o que guardamos e está prestes a explodir… mas que se manterá trancafiado na nossa imaginação. Os ‘amores de verão’ foram substituídos pelo ‘amor de ocasião’, e as vezes essa ocasião está somente dentro de nós.

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