Pizza, mistério, magia e diversão

Por Fabricio Duque


Se o ser humano é dotado de plurais preferências, gostos, predileções e afinidades, então a arte cinematográfica também precisa ser possível e destinada, em seus gêneros e suas faixas etárias. Sim, cinema é para todos, principalmente ao infanto-juvenil, que tem todo o direito de se sentir representado em sua bases ainda inocentes em processo de construção. Este é uma fase. Um caminho que impulsiona à vida adulta.

“DPA – Detetives do Prédio Azul” é mais um exemplo. Mais modernizada e mais pop (inclusive com músicas de Anitta, “Show das Poderosas e o expulsa as invejosas” e ou o nome de Felipe Neto), mas com ecos de Tim Maia e de outras obras nacionais, como “Castelo Rá-Tim-Bum”, “Menino Maluquinho”, “Uma Professora Muito Maluquinha”, “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, “Gaby Estrela”, e internacionais, “Sabrina, Aprendiz de Feiticeira”, “O Mundo da Lua”, “Punky, A Levada da Breca”, “Super Vicky”, “ICarly”, e tantos outros, como o filme “O Segredo dos Diamantes”, de Helvécio Ratton.

A série, criada no Canal de televisão Gloob por Flávia Lins e Silva, ganhou o mundo do cinema. Com uma pegada que une aventura e um que de magia à moda de “Harry Potter”, o filme tem agora sua continuação com as desventuras investigativas na Itália. “DPA – O Mistério Italiano” mantém o formato de causos e histórias feitos para toda família e para a diversão das crianças. Ainda que a estrutura possa soar artificial aos grandes, já os pequenos embarcam completamente na trama. Principalmente pelas cores neon ultra vivas da fotografia e dos cenários-purpurina.

Durante a Expo-Bruxas, a maior feira de bruxos do mundo, Pippo (Pedro Henriques Motta), Bento (Anderson Lima) e Sol (Letícia Braga) viajam até a Itália para investigar o sumiço da feiticeira Berenice, que foi sequestrada pelos bruxos Máximo (Diego Vilela) e Mínima Buongusto (Fabiana Karla). Convidada para experimentos vocais (um que do desenho Disney “A Pequena Sereia” em relação à voz “vendida”). “DPA 2” é “mistério, magia e aventura” com performances musicais de uma “banda que quer ficar muito famosa” e apresentação-preâmbulo em metalinguagem, que usa o cinema para explicar as técnicas utilizadas no próprio filme.

O longa-metragem também é retrato comportamental de nosso presente. Nós espectadores percebemos uma inversão de valores (algo como “Esqueceram de Mim”, de Chris Columbus) ao transformar adultos em vulneráveis e limitados e crianças em gênios adultos (sensíveis e dramáticos). O trio de aventureiros “tem espírito de equipe” e “aceita” as características intrínsecas dos outros, como o “arteiro” pedantismo narcisista de Berenice (que “não está acostumada a ouvir um não” e arquiteta planos de vingança – truques para prejudicar em prol do próprio sucesso – com sua “vassoura bike mágica”). Sim, tudo é simples e feliz. E com uma ingênua perspicácia dos “imbatíveis e invencíveis” em missões, à moda de “007 James Bond”, “agora internacionais”.

“Detetives do Prédio Azul – O Mistério Italiano” pode ser considerado uma fábula. Um conto de fadas mais realista contra “bruxos poderosos com magia da pesada”, “estátuas-vivas”, “doces envenenados” (“João e Maria” com “A Fantástica Fábrica de Chocolate”) e “cafés enfeitiçados”. Com mapas animados. Com Iphones “viagens” (que lembra o curta-metragem “Plano Controle”, de Juliana Antunes). “Coisas estranhas” acontecem. “Inexplicáveis pela Ciência” e pela lógica. “Nada científico”, diz-se. Sim, tudo é didaticamente explicado. Esta é também uma das características: mastigar ao máximo as reviravoltas da história. Sem se importar tanto com nuances e sutilezas interpretativas. Mas vez ou outra os adultos recebem uma piada metafórica em estilo Mister Bean, como os malas extraviadas e ou “a cigarrinha acordar para o cigarrão”. E ou um suposto flerte entre as duas amigas “mais unidas”.

“DPA 2”, dirigido por Vivianne Jundi (substituta de André Pellenz, do primeiro), é um passeio por símbolos mágicos em telhados para “espantar o mau olhado”. Os “fedelhos” Pippo, Bento e Sol investigam “questões sérias de vida e morte”, entre competidoras cruéis, “velho provecto”, cinto selfie. Nós somos adentrados em um mundo de invenções desengonçadas, em destaque a Leocádia Leal (“a fenomenal”, a atriz substituta Claudia Neto, que antes era Tamara Taxman), “pessoas congeladas e desorientadas”, “armações para completar a poção”. E no final, o dia redenção é salvo por estes detetives. O filme é diversão garantida aos pequenos e um bom passa-tempo aos pais e responsáveis. E uma homenagem à memória de Eliete Borges, a mãe do ator Anderson Lima.

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