A dor fantasma perante a abertura

Por Gabriel Silveira

Durante o Festival do Rio 2018


“El Ultimo País” de Gretel Marín é um projeto que verdadeiramente transborda o espírito e a matéria de seu objeto de estudo. Durante o ínterim da abertura política de de Cuba, Marín retorna a seu país para acompanhar numa pegada verité o estado de espírito e as vontades proferidas pelo povo cubano durante o início daquele momento de transição.

Marín encontra naquele povo a feição da dissociação. Mais perdidos que cego em tiroteio, a única perspectiva que o povo conseguia expressar naquele primeiro momento do filme era do encontro com o desconhecido.

Marín tenta fazer este momento do filme todo sobre aquele discurso de seus entrevistados. A medida que vai montando um discurso analítico sobre a construção da essência de doutrina e espírito que a infra-estrutura política cubana montou durante o século passado a cineasta acaba conseguindo fugir daquele primeiro estado de confusão frustrante. É uma pena que a medida que vai se aprofundando ainda mais em sua exploração analítica acaba indo de encontro com uma experiência reflexiva que leva o discurso do filme novamente à experiência conturbada do não saber, enclausurando o mesmo em um estado de deriva eterno.

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