Não há nada mesmo

Por Gabriel Silveira

Durante o Festival do Rio 2018


O problema de uma noite não é nada é que ele acaba levando o niilismo decadente do título a um extremo inútil.

Procurando escapar moralismos bitolados, digo que o filme acaba estabelecendo um discurso tão raso e vazio sobre a dimensão dos dramas de cada personagem que acaba passando a vontade do narrador como a mais absoluta indiferença quanto ao que se morre na tela.

Quase como se houvesse um desejo sádico de encenar tudo aquilo com a vontade mais voyeurística. E não é como se não houvessem, em minha leitura, louros na questão. A narração foi capaz de traçar este retrato fabulosamente estéril e decadente daqueles desejos do professor que quer contaminar-se com o sangue soropositivo de sua aluna, que mais parece, uma externalização da ausência de energia vital do próprio autor. Como se a estruturação da narração em duas partes sem clímax se tornasse uma efetivação deste desencanto broxa com tudo o que há.

O que é admirável é a capacidade de tornar toda essa negatividade em texto fílmico, até mesmo com alguns gimmicks curiosos. Fora isso, muito difícil endossar um discurso tão tóxico e inútil.

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