Se durasse uma hora a menos…

Por Pedro Guedes

Durante o Festival do Rio 2018


“Praça Pública” é um filme que talvez funcionasse melhor se fosse um média-metragem: mesmo durando apenas 99 minutos, esta é uma comédia francesa que ridiculariza os costumes da elite através de um senso de humor mordaz que funciona relativamente bem por meia hora. Em seu primeiro ato, inclusive, o cineasta Agnès Jaoui leva o espectador a pressentir que está diante de uma obra dinâmica, criativa e tematicamente relevante – e é uma pena, portanto, que o projeto perca cada vez mais o seu fôlego à medida que a projeção avança, soando redundante em sua maneira de desenvolver seus temas e de construir suas gags.

A trama acompanha Castro, um apresentador de TV que há muito deixou de ter a importância e o prestígio de antigamente. Depois que sua produtora o convida para uma festa em sua nova casa, no interior da França, o sujeito se vê numa situação cada vez mais frustrante, já que não aguenta mais as pessoas pedindo fotos com ele, questionando o porquê de sua decadência e demonstrando como as novas gerações (leia-se: youtubers e jovens popstars) andam bem mais em alta do que os artistas da mídia tradicional. Neste sentido, o filme consegue gerar algumas boas risadas ao enfocar a impaciência de Castro, que pode até ser um personagem desiludido e rabugento, mas nunca a ponto de levar o espectador a antipatizar com ele.

Saindo-se razoavelmente bem ao ironizar a hipocrisia de uma elite egocêntrica que, ao dar uma festa barulhenta até altas horas da noite, ignora qualquer reclamação que possa vir de seus vizinhos fazendeiros, “Praça Pública” chega a incluir, em seu ato final, um breve comentário a respeito de como as palhaçadas que viralizam na Internet se tornam muito mais relevantes do que deveriam ser (algo mais ou menos parecido com o que era mostrado em “Birdman”). Infelizmente, o filme se acha bem mais afiado e sacana do que é de fato e não percebe que, no fim, seu senso de humor está longe de ser dos mais refinados. Na verdade, trata-se de uma obra inofensiva demais para provocar qualquer impacto maior.

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