Réplica da Gente

Por Gabriel Silveira

Durante o Festival do Rio 2018


“Museo” foi uma surpresa inesperada, não conhecia nada da filmografia de Ruizpalacios e só reconhecia o rostinho bonito de Gael Garcia Bernal. Adentrando a sessão já tomei duas surpresas curiosas com a logo do YouTube e a textura daquele 35mm esverdeado que bota os sonhos fetichistas de qualquer um para ferver.

E este fetichismo todo não é à toa, Museo é uma jornada de mergulho nas feitas e desfeitas de estado de fantasia, encantamento e o que há de libidinoso na busca por identidade numa existência em crise.

A jornada de Juan Nuñez funciona como um dispositivo para se aventurar nesse discurso inconsciente coletivo latino/mexicano quanto a relação desta identidade com seu passado e presente. O exercício espetacular antropofágico daquela mescla formal divertidíssima daqueles gêneros flutuantes é o veículo perfeito para chegar e olhar no espelho a procura de todo o trauma genocida intrínseco de ser colônia ontem e hoje. Séculos matando Maias e agora um bom tempo tentando se “desvender” para a euro-américa.

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