Palmeira lavada de sangue

Por Gabriel Silveira

Durante o Festival do Rio 2018


Considero escrever apenas uma pílula de texto para Sócrates um crime, mas tentarei levar este texto pela precisão ambicionada de um haikai. “Sócrates” é uma narrativa de pele, não pele apenas pelo o que há de intrínseco no discurso, mas pele porque é catarse subcutânea, é de se levar a transcendência de todo o espelho de empatia que a fisiologia humana pode chegar. Um texto que leva o corpo para a rua, a rua para o corpo e a dor para o espírito.

Sócrates é chegar de cara à face dos portões do inferno brasileiro, aquele que faria Dante colapsar de medo, evaporar de pavor. O pavor, ter 15 anos sem rumo, fim do caminho, o universo de purgação de mais de 100 mil brasileiros. Lidar com esta irrevogável e inexorável maldição que corre no âmago do espírito desta terra do desgaste voluntário da gente. A única reforma da alma possível é a do amor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados