Inimigos unidos jamais serão vencidos

Por Fabricio Duque


Para entender a narrativa objetivada de “Fúria em Alto Mar”, é necessário observar o seu redor: o meio da própria sessão de cinema em que o filme foi exibido. Tudo por ser uma obra direcionada ao grande público, que se comporta como uma extensão do sofá de casa, com suas conversas, pipocas barulhentas e ansiedades (e suas pernas trêmulas) em momentos de não ação (a contemplação dos silêncios para uma imersão mais aprofundada nas questões existenciais de cunho político-social).

Assim, o longa-metragem precisa adequar-se às idiossincrasias de seus espectadores, estimulando uma superexposição de explosões, desenhado e organizado por um roteiro fácil e palatável. Nivela-se por baixo para não sair da padronização e de sua zona de conforto já acostumada. Mas “Fúria em Alto Mar” consegue transpor um confronto, questionando como uma crítica à superioridade orgulhosa e arrogante da nação americana, que aqui permite a maestria de outras nacionalidades.

O comandante russo, resgatado como um ato humanitário, diz que os mapas estão incorretos e que prova que é um melhor profissional. Estrangeiros esses que representa uma ameaça, um inimigo, sempre na luta bélica. “Estar certo ou estar vivo”, diz um americano (o ator escocês Gerald Butler) com humildade, gerando estágios confusos nos outros acostumados a sempre serem os melhores.

Dono de métodos próprios nada convencionais, o Comandante Joe Glass (Gerard Butler) é o responsável por liderar uma delicada missão pelas perigosas águas do Mar de Barents à bordo do submarino USS Arkansas. O objetivo da tarefa é monitorar a atividade militar russa na região após outro submarino americano desaparecer naqueles mares. Enquanto isso, a situação política na região se acirra ao ponto de Glass ter de tomar decisões cruciais para impedir que se deflagre um conflito de escala continental entre as duas potências. Ao contrário da maioria dos oficiais comandantes, ele não é formado pela Academia Naval.

“Fúria em Alto Mar” é tudo que um filme entretenimento precisa: diversão, ação e uma história simples e palatável (que apenas complemente a experiência pipoca do espectador), com suas explosões, situações-limite, submarinos e seus foguetes, alívios cômicos suavizados, momentos de tensão pela iminência de perigos, reviravoltas e a presença definidora de mocinhos e bandidos. Mas é neste último artifício que o filme mostra sua diferença e sai da curva.

Como já foi dito, o longa-metragem coloca em xeque a prepotência incondicional do nacionalismo da nação mais rica do mundo quando supõe aceitar que um estrangeiro pode saber mais que eles. Os russos. Inimigos desde sempre. Competidores que lutam para chegar antes nas corridas pela terra, pelo espaço (e o acontecimento histórico de ter perdido a chegada a Lua para o primeiro americano Neil Armstrong – que no filme “O Primeiro Homem”, de Damien Chazelle, foi interpretado por Ryan Gosling, um canadense) e agora pelo fundo do mar. Pois é, cada vez está mais difícil encontrar nativos cem por cento legítimos).

“Fúria em Alto Mar” é também receber um completo estudo sobre os seres humanos enquanto indivíduos sociais. Todo e qualquer filme é um reflexo de nosso tempo, por isso nossa imediata identificação. Dirigido por Donovan Marsh, que começou sua carreira como editor de “Armageddon: The Final Challenge” (1994), de Michael Garcia; e diretor, em 2005, de “Dollar$ + White Pipes” e “Spud” (2010), o ator Gerald Butler, que para compor seu papel viajou a bordo do USS Houston, e que também assume a produção, estando profundamente envolvido em todos os aspectos do desenvolvimento do roteiro, na trilha sonora, na edição, no elenco e no visual.

“Eu estive envolvido em todas as partes deste filme desde 2011, desde a primeira vez que li e sempre foi um sonho meu. E quando eu digo um sonho, literalmente um sonho. Depois de ter o roteiro por anos eu tive um sonho que eu estava vivendo e fazendo isso. Eu sempre amei o roteiro e achei que precisávamos de um filme como esse novamente, mas era muito difícil de fazer. Parecia um gênero que não era necessariamente tão relevante em 2011. Uma história sobre os EUA contra a Rússia – ninguém se importava, ninguém acreditava nisso e então eu tive esse sonho e comecei a bater nas portas. As coisas se tornaram um pouco mais agressivas a intensas entre essas duas nações e, de repente, quando você lê o roteiro, você tem uma conexão emocional com ele. Como podemos apertar e fazer com que seja moderno, não apenas atualizando política ou geopoliticamente, mas atualizando esse gênero e trazendo o público a uma nova maneira de contar a história. E ainda assim parece um tipo clássico de thriller de ação, mas fresco, revigorante e excitante? ”, finaliza o ator e produtor Gerald Butler.

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