Mais uma ação genérica pra lista

Por Vitor Velloso


Chega aos cinemas mais uma ação genérica sem imaginação que está aqui para perpetuar um estilo, que já está batido, mas com o discurso que a nostalgia é a estética do filme.

“Hotel Artemis” é escrito e dirigido por Drew Pearce, que escreveu a história de “Missão Impossível: Nação Fantasma” e “Homem de Ferro 3”. Como é possível concluir, suas habilidades com o roteiro são dúbias. E agora, como diretor, transfere seu talento à estética que tenta imprimir no filme. Com uma inconstância estonteante assina seu primeiro trabalho na direção, em longas, com um fracasso monumental.

Na trama, Jodie Foster interpreta uma enfermeira no “Hotel Artemis”, uma espécie de hospital dos assassinos, seguindo a ideia que John Wick tentou desenvolver. E por ironia dramática, o mini tanque de guerra, Dave Bautista interpreta um ajudante de enfermeira. Após um assalto sair do controle Waikiki (Sterling K.Brown), leva seu parceiro baleado ao local. Ao mesmo tempo que uma misteriosa pessoa com o terrível nome de “Wolf King”, avisa que irá necessitar de cuidados médicos e por algum motivo parece chocar a protagonista. Essa historinha de passados escondidos nas memórias dos personagens, é o que rege grande parte da narrativa, bagunçada e desfocada.

A personagem com maior potencial, Nice (Sofia Boutella), é subaproveitada. Constrói todo um imaginário em torno dela do que ela é capaz de fazer, porém, existe apenas uma cena onde o público é recompensado pela espera, e infelizmente, é uma cópia barata da clássica cena de luta do “Oldboy”, no corredor. Tudo que aparece em “Hotel Artemis” possui uma referência explícita, mas diferente do Tarantino e Edgar Wright, elas não possuem um motivo concreto, e não são orgânicas. Nem mesmo a coreografia consegue impressionar o espectador, um exemplo onde a luta era mais importante que a própria narrativa, e guiava completamente a forma, é o”Haywire” do Soderbergh. Ou mesmo “The Raid”.

Ao início da projeção toca California Dreamin’ (do grupo The Mamas and the Papas), música que para os cinéfilos significa: “Chungking Express”. Heresia. Drew tenta criar um cenário e algumas composições que tentam emular o Wong Kar-wai, o óbvio acontece… vergonha alheia. O diretor não compreende que é preciso ter uma estrutura brevemente coesa a fim de dar espaço para a cópia. E este é um dos maiores problemas do longa, sua construção. 80% da exibição acontece e o público fica se perguntando o que aconteceu nessa 1h10, para enfim, a trama caminhar e acabar. E o fim, é horrendo.

Zachary Quinto está no filme, fazendo papel de filhinho de papai de quinta categoria, fica uns 5 minutos em tela e some. O próprio Bautista que possui um papel mais sólido na história, tem seus sumiços também. A forma como o roteiro progride é o que permite todas suas fragilidades serem expostas. Inclusive, na cinematografia, que possui seus altos e baixos ao longo da história. Quem assina a fotografia é o excelente Chung-hoon (Oldboy, It, A Criada), porém, se vê castrado por uma direção inconsistente e engessada em suas pequenas referências.

O envolvimento que as pessoas terão com a personagem da Jodie Foster, dependerá de um grande esforço de empatia por altruísmo. Pois, quase nada funciona aqui. O terceiro ato salva o espectador do sono profundo, dando um pouco daquilo que qualquer pessoa queria, ação. Ainda assim, até as cenas de luta são pouco empolgantes. Sofia Boutella se esforça em criar uma personagem dúbia em suas questões, flertando entre anti-heroína e vilã, consegue aos poucos ganhar o público. Enquanto o personagem do Sterling K. Brown, ganha a audiência pela sua constante luta em manter seu amigo são e calmo, seu papel é um dos mais importantes para a trama, porém, unidimensional. ,

Jeff Goldblum possui uma brevíssima aparição, enquanto finge que está criando um personagem, que finge estar no roteiro. Infelizmente “Hotel Artemis” é um tremendo desperdício de oportunidade para se estrear na direção com um projeto que pudesse ser minimamente autoral. Foi apenas um tiro no pé. Não diz nada ao gênero, nem aos atores que estão presentes, Jodie Foster, inclusive, deve começar a procurar melhor seus papéis, pois, está difícil acompanhar a carreira dela.

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