Terceiro dia no CineBH 2018

Por Vitor Velloso


O terceiro dia da Mostra Cine BH, começou com uma palestra sobre a Ibermedia, havia a presença do Victor Sanchez, representante espanhol do programa. Um resumo foi feito antes que se apresentasse uma pauta mais ampla. A Ibermedia foi criada em 1998, já auxiliou quase mil projetos desde então, em seus 20 anos, o Brasil sempre se manteve como figura de extrema importância, além de ser um membro fundador, chegando a se manter no posto de 2º lugar. Victor comentou que infelizmente, a Espanha, atualmente, recebe mais suporte de capital estrangeiro, que o nacional, para o cinema, é claro. O que torna-se um problema, devido a um engessamento muito limitador por questões de produção.

O palestrante argumentou que coproduções com a Argentina e o México vêm se tornando cada vez mais comuns, pois, são países que possuem uma cinematografia bastante forte e concreta em sua proposta e no mercado internacional. Em outro momento, mostrou um gráfico que esclareceu a evolução do Brasil neste contexto. Onde apenas a partir de 2005, no governo Lula, ele passou a ser doador, saindo assim de um déficit. Outra forte característica da Ibermedia é a ajuda com desenvolvimentos de produção, em uma ajuda de mil dólares. Para que se possa pedir essa ajuda no desenvolvimento é necessário que haja 50% ou mais do projeto já desenhado/pré estabelecido.

Com uma verba próxima a 5 milhões por ano, 80% desse dinheiro geralmente é destinado diretamente para produções. Por isso, na fase de pré-seleção, a análise realizada de forma estritamente técnica, para pragmatizar minimamente este processo. Logo, análises mais pontuais quanto a narrativa, são irrelevantes nesta etapa. Apenas, na próxima isso teria uma relevância maior.

No segundo momento do dia, houve um debate sobre a TorinoFilmLab, da Itália. Com um atraso monumental de quase 1 horas, a conversa girou em torno produção de roteiros e ajuda desta etapa do projeto. Foi muito debatido a questão de não quererem projetos que sejam do senso comum ou simplórios demais, como longas de gênero ou especificamente sobre uma família ou algo que reduza tanto o processo criativo quanto isso. Resumidamente, eles estão a procura de projetos originais, pessoais e como uma identidade bastante própria e singular.

Logo após, houve a exibição de “Carnaval Atlântida” do Carlos Manga e José Carlos Burle, que haverá crítica aqui no site, afinal, Lewgoy, Oscarito e Grande Otelo no mesmo filme, é digno de aplausos. Mais tarde ocorreu o debate sobre “Experiências em coprodução Internacional na América Latina, com a presença dos convidados: Henry Galsky, coordenador de Projetos e Conteúdo do Canal Brasil, Catalina Vergara, produtora da Globo Rojo Films, do Chile, e, Constanza Sanz Palacios, produtora na Argentina. A conversa foi simples e direta, sendo iniciada pelo Henry, que comentou sobre os direitos adquiridos de diversas obras pelo Canal Brasil, assim como as diversas coproduções que realizou recentemente, que deu origem a “O Silêncio do Céu”, por exemplo. Comentou que 4500 filmes já foram exibidos no Canal Brasil e que 600 foram remasterizados, o que abre um pouco o leque de tarefas que o CB vem realizando de anos para cá.

As produtoras, fizeram uma espécie de rodada dupla, onde as duas iam intercalando falando muito sobre as parcerias entre os dois países e as produtoras de forma mais conjunta. E que as coproduções são de interesse cultural também, não apenas financeiro e que vem dado muito certo em uma cenário mais amplo. Foi dito que é necessário uma espécie de cota mínima de pessoas trabalhando na produção do filme, para que seja autorizada esta coprodução, seja como ator, figurante ou apenas na parte técnica: Som, fotografia ou outras funções. Após o debate tive o imenso prazer de conversar com a Vera Hamburguer, que está aqui, para dar três aulas consecutivas sobre direção de arte no Cinema. Infelizmente não pude ir nas duas primeiras aulas, pois, tinha que cobrir outras pautas e debates, mas tentarei ir na terceira e dar um breve, mas incompleto, parecer sobre estas aulas.

Para fechar o dia assisti a 1ª parte de “La Flor”, do Mariano Llinás. A sessão possuía 3h e 40 min aproximadamente e houve um intervalo. Não escreverei nenhum comentário sobre o filme até que este esteja completo, por pedido da própria produtora. Ainda que seu pedido não tenha sido tão direto. Porém os núcleos narrativos são fragmentados mas ligados por pequenas paráfrases ideológicas, logo, escreverei a crítica apenas quando terminar a terceira e última parte.

Este foi o filme do terceiro dia de festival, espero que estejam gostando da cobertura que segue a todo vapor.

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