Para que uma sequência?

Por Vitor Velloso


Seguindo a cartilha de filmes protagonizados por homens-de-meia-idade-que-arrebentam-meio-mundo-com-dois-dedos, “O Protetor 2” chega aos cinemas fazendo exatamente o mesmo que o primeiro, copiando todo mundo na cara dura e tentando revitalizar alguns velhos (desculpa o trocadilho) badasses do cinema.

Dirigido por Antoine Fuqua, a sequência do sucesso parcial de 2014, mostra que aquilo que quase deu certo há 4 anos, perdeu toda a pouca estrutura que tinha e deve ser o último da franquia, oremos. Na trama, uma amiga do protagonista, Susan, é assassinada e Robert McCall (Denzel Washington) decide investigar mais a fundo, a fim de vingá-la. Trabalhando como Uber, ele abandona seus dias de vigilante ocasional para ir até o fim neste caso.

Fuqua possui uma carreira bastante irregular e apenas entre o primeiro filme da franquia e esta continuação dirigiu dois filmes, o tenebroso “Nocaute” e o divertido remake de “Sete Homens e um Destino”. O que ficou claro é que o diretor precisa de um roteiro que consiga estruturar suas ações de forma cada vez mais didática, pois, depender de seu estilo para dobrar o espectador, não vai rolar, foi assim com “Dia de Treinamento” e aqui, vemos que este é o seu ponto de trabalho. E como, roteiro não é exatamente um dos pontos fortes deste novo longa, a ação se torna a espinha dorsal dos acontecimentos.

Esta proposta até funciona muito bem se for utilizada de forma mais autoral, utilizando, de forma mais integral, a forma sendo um artifício primordial da condução imagética. Porém, aqui, vemos uma colagem de todos os clichês convencionados pela indústria nos últimos anos, até mesmo na coreografia. Esse pastiche arquitetado pelo diretor, cria um dos longas mais genéricos, do gênero, no ano. O protagonista, também não possui uma característica que o define de forma concreta, é apenas um altruísmo já recorrente no cinema, servindo de motivação para as ações do tiozão porradeiro. Até mesmo os gatilhos que ativam essa reação de justiceiro, são bastante comuns. E dessa forma, Fuqua desenha um projeto esquecível, assim como o primeiro, mas menos divertido. Inclusive, a estrutura narrativa é exatamente igual a do anterior, inclusive o ato final.

Aqui, ao menos, há uma tentativa de alocar o filme na contemporaneidade, trazendo um tema “atual”, a privatização de todos os serviços norte-americanos. Mas ainda assim, o assunto serve apenas como pano de fundo em uma subtrama que é introduzida no brevíssimo elemento do passado de alguns personagens. Então, nem dá pra discutir, pois, nem os roteiristas se interessaram. E desta forma vai sendo levado, nenhuma estrutura vira objeto de apego por parte dos realizadores e tudo vai sendo passado para trás, até mesmo a história. Por isso, é cansativo assistir “O Protetor 2”, pois não existe exatamente uma progressão narrativa, nem empatia pelos personagens. São duas horas que soam, como três.

O apoio narrativo, que foi utilizado na figura de Miles, interpretado por Ashton Sanders, é frágil, pois, a intervenção de um altruísmo semi-paterno, e uma tentativa patética de falar sobre os jovens do subúrbio americano, se transformam numa muleta que o roteiro incorpora como solução para algumas resoluções narrativas e/ou problemáticas futuras. Inclusive, saí com um medo absurdo da franquia ser continuada a partir de um aprendiz do McCall, assim como “Sicario 2”. Vamos apenas torcer que os produtores percebam que isso seria uma tragédia absoluta e pior ainda que este projeto. E vamos avisar ao Ashton para voltar a fazer “Moonlight” e “Straight Outta Compton”, é melhor vai.

O diretor de fotografia, Oliver Wood, é conhecido por imprimir uma luz lavada e padrão, sendo o responsável por “Quarteto Fantástico”, Trilogia “Bourne” e o remake de “Ben-Hur”, percebe-se o quão presente ele é nos filmes. E a trilha sonora aborrecida é responsável por Harry Gregson-Williams, que pelo menos em “Megatubarão” usa a trilha como uma piada constante, aqui ele é de uma falta de imaginação terrível. Não que outros projetos de sua carreira possuam alguma autoria “Nárnia”, “Príncipe da Pérsia” são exemplos do que ele já trabalhou, mas aqui é uma compreensão barulhenta do que seria uma música, em diversos momentos me geraram algumas risadas pelo pastiche terrível.

Pior que o original e completamente medíocre “O Protetor 2” ainda fará algum dinheiro no cinema e é possível que haja sequência, ou uma prequel. Não sei o que é pior.

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