Mais insólito impossível

Por Chris Raphael


Quando o incomum bate à porta, devemos nos surpreender. Esse vislumbre de uma situação irreal, misturado ao mito grego de gravidez masculina nos faz embarcar (de gaiato) nos percalços de uma gravidez não planejada e indesejada e às avessas. É o contraditório presente nas situações rotineiras de um casal comum.

Paraiso Insólito, de 2017, é esta ficção no formato curta-metragem, com direção de Anselmo Vasconcellos. A produção e o roteiro são de Breno Augusto Guimarães, que também encabeça o elenco ao lado de Dani Antunes.

A sinopse conta de um esportista do boxe, adulto e vivendo sua vida . Entretanto, ao sentir-se mal durante uma luta, descobre durante um exame médico que está grávido. Tendo nas mãos uma gravidez não planejada e incomum, vai percorrer os temerosos caminhos do descobrimento de sua existência e realização pessoal até a superação.

O drama em questão nos surpreender por trazer à tela, de forma inusitada, toda a problemática contida no imaginário social da paternidade/maternidade e o quanto este devoção à prole pode atrasar a vida dos pais ou contribuir para sua eclosão, não obstante o momento ser ou não propício . As respostas fornecida por personagens mitificados (reais ou não) que submergem do inconsciente do protagonista faz-nos inferir que as respostas já estão dentro de nós.

Sendo assim, trata-se do crescimento pessoal do protagonista e a superação do medo de viver em toda sua amplitude. Isso é claramente exposto nos comentários sobre sua própria crença e qual o percurso que teve que seguir até determinado momento. É uma curva crescente e bem delineada, quando o conflito está claro e pronto a ser resolvido. Com bastante criatividade, a película nos conduz à reflexões de natureza intrínseca, explorando as expectativas peculiares em uma atitude contemplativa perante a vida.

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