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Fellipe e Suas Montanhas

Por Fabricio Duque

O único longa-metragem brasileiro em competição no Festival de Cannes 2017, “Gabriel e a Montanha”, de Fellipe Gamarano Barbosa (de “Casa Grande“, “Laura“), integra a mostra Semana da Crítica, que por sua vez, traz o cineasta pernambucano, Kléber Mendonça Filho (de “Aquarius“, “O Som Ao Redor“), como presidente do Júri. O filme conta a história real do economista Gabriel Buchmann, que, em 2009, foi encontrado morto em decorrência de hipotermia, quando escalava a trilha no Monte Mulanje, no Malauí, na África.

Gabriel Buchmann, amigo pessoal de Fellipe, é interpretado pelo ator João Pedro Zappa, de “Boa Sorte“, “Disparos”), um jovem aventureiro cheio de planos para sua vida acadêmica. Porém, antes de se preparar para a jornada na Universidade da Califórnia (UCLA), o rapaz decide partir para a África. Durante a viagem, Gabriel decide subir o Monte Mulanje, um dos mais altos do Malawi, mas por conta disso sua história torna-se trágica. A atriz Caroline Abras (de “Sangue Azul”) contracena com o papel de sua namorada, Cris.


“Filmei nos lugares reais, usando figurinos do próprio Gabriel, percorrendo quatro dos sete países por onde passou – Quênia, Tanzânia, Zâmbia e Malauí, num processo no qual os nossos maiores desafios eram a falta de conforto e as estradas que a gente percorria com uma espécie de caminhão-ônibus, num ambiente onde a Morte era muito presente, carregando o clima. E havia o medo de dar alguma m… subindo o Kilimanjaro, mas a equipe que subiu chegou e sai de lá bem”, disse o diretor em entrevista a Rodrigo Fonseca. E complementa: “Este é um filme de viagens… um filme de encontros… mais do que filme de aventura, coisa que ele tem, uma vez que, em sua estrutura narrativa dividida em quatro partes, há duas dedicadas a montanhas. Eu já conhecia a África antes, numa oportunidade em que dei um curso em Uganda. Mas eu fiquei emocionado quando li um email que o Gabriel mandou para sua família falando do que estava feliz em sua viagem pelo continente africano, vivendo na total liberdade, gastando no máximo US$ 3 por dia. Eu me identifiquei muito com aquilo, pois também nunca fui tão feliz quanto estive nos tempos em que vivi na África. Às vezes, eu tenho a sensação de que Gabriel morreu de felicidade. Na pesquisa para o filme, fui tendo essa sensação ao me bater com questões como o fato de ele ter dispensado seu guia no local em que morreu. Engraçado que, enquanto eu montava o filme, eu pensava muito em um western que eu vi quando garoto: Um Homem Chamado Cavalo, com Richard Harris. Meu distribuidor francês enxerga no filme referências de Homem-Urso, documentário de Werner Herzog. Já eu pensava muito no filme com Harris e em Homens e Deuses, de Xavier Beauvois”.

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