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Um RGB Transgênero

Por Fabricio Duque

Não podemos negar que o gaúcho Luiz Roque acredita incondicionalmente em suas ideias, cuja transposição acontece pela transgressão de atmosfera fantástica do social, tanto que sua exposição mais recente “Amor e Ódio à Lygia Clark”, já pelo nome, indica o questionamento direto. Em seu curta-metragem, “Heaven”, uma fábula experimental sarcástica sobre uma contemporaneidade (observada de forma futurista quando ambienta a história em 2050) que cada vez “alimenta” mais o “inferno” nas ações diárias, Luiz direciona o público ao universo transgênero. Aqui, é descoberto um novo vírus transmissível através da saliva humana que afetaria diretamente a população transexual. Para a paciente zero, bem como para todos aquelxs consideradxs (assim mesmo com “x” para cirurgicamente determinar a quebra do paradigma conservador) nesse futuro como “comunidade de risco”, a vida continua em uma São Paulo demarcada por zonas de quarentena, discussões éticas, especulação da indústria farmacêutica e um estado negligente, assunto discutido como “carniça” pela mídia televisiva (em um distorcido, psicodélico, psicotrópico e potencializado visual RGB de ser – quase uma elucubração viajante à moda de um “Doce Amianto”, de Guto Parente e Uirá dos Reis) ávida por sensacionalismo. “Heaven” passeia pela liberdade estética, pela vídeo-instalação e pelo conceito peculiar, curioso, autoral e debochadamente revolucionário, este por igualar a diferença, como em um episódio da série da HBO, “True Blood”.

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