Por Fabricio Duque

 

Há no Festival de Cannes, um pouco menos que o de Toronto, e um pouco mais que o de Berlim, variadas vertentes de exibições, bem ao estilo hollywoodiano, “mascaradas” de gênero cinefilia cult. Nesta edição, de 2016, até mesmo o novo ação de Mel Gibson, “Blood Father”, integrou o time de “cota-entretenimento”, e podemos até relembrar o ano passado com o revisitado “Mad Max”. Sim. O meio cinematográfico é e precisa ser diversificado, para poder agradar gregos, troianos e “anti” midiáticos, como o filme em questão aqui “Money Monster – O Jogo do Dinheiro”, da atriz, e agora diretora, Jodie Foster (de “Mentes Que Brilham” e que atuou em clássicos como “O Silêncio dos Inocentes” – e que caminhou com status de celebridade aqui no sul da França, incluindo a foto memória de quando debutou no Festival de Cannes com “Taxi Driver”, de 1976, ao lado de Robert De Niro, publicado na revista Hollywood Reporter. “Money Monster – O Jogo do Dinheiro” é uma crítica à manipulação da mídia, e acima de tudo, ao capitalismo oportunista, que tem como consequência recorrentes e especulativos por blefes financeiros no “dinheiro” de seu público-indivíduo social pertencente a uma comunidade globalizada. “Você conhece o nosso programa. Nós não não fazemos jornalismo agressivo. Nós não fazemos jornalismo”, diz-se. A narrativa busca reconstituir uma personificação com a realidade sensorial por meio da edição ágil videoclipe à moda da correria dos bastidores de um programa de televisão, e utilizando propositalmente os gatilhos comuns, quase alegorias-caricaturas, do circo-teatro midiático, que alimenta o produto-entretenimento (arquitetado superficialmente como armação, cuja crise não é compreendida logicamente – com piadas exageradas e enérgicas para estimular vendas). Até que uma “andorinha” agressiva e violenta, mesmo sabendo que “não faz verão”, resolve mudar este entendimento e “bagunçar” a massificação dos questionamentos construídos, e ao plantar a semente da discórdia e colher verdades contra o sistema, a opinião é modificada. E quem em princípio era uma terrorista em potencial transmuta-se em talvez uma vítima da loucura reverberada que prova do próprio veneno. Não podemos negar que “Money Monster – O Jogo do Dinheiro” tem uma interessante e promissora premissa utópica de levantar o desejo da revolta (à la “Robin Hood” e de um espectador que perde dinheiro por um “incidente isolado”), usando o mesmo argumento, a televisão (como catarse) e as câmeras sensacionalistas que se comportam como um “Hannibal” da lei do mais forte, e os “medos” americanos das tragédias (sucedendo a obviedade das gritarias, o surto potencializado da segurança, a emoção sentimental do resgate, o impedimento de até mesmo matar um cidadão americano). O “terrorista”, fora de controle, pouco a vontade à fama, que não tem nada a perder, desengonçado e até ingênuo, (que o único mal que fez foi “acreditar nas mentiras”) inflama seu discurso, como uma terapia de choque a fim de salvar suas emoções, e suas ações vão desencadeando o caos e destruindo tudo. Sobre o “incidente”, ninguém sabe ou como apenas afeta os outros, não querem saber. A verdade então vem à tona sobre a manipulação-especulação do mercado financeiro (que “rema tudo antes de se afogar”) e assim, a solidariedade da sobrevivência. Quanto vale uma vida? Quem são os reais criminosos? Humilhação, orgulho, diminuição do fracasso, honra, “sair bem na fita”, todos despertam os mesmos sentimentos quando não se sabe o erro. “A culpa não é do computador. São as digitais humanas”, diz-se. É aí que o filme acontece. Quando a necessidade inverte a inércia. O que era um simples comodismo de sucesso, eleva-se a um jornalismo sério, em tempo real, investigativo, quase uma homenagem ao programa “60 Minutos”, que teve quarenta e sete temporadas. E quanto mais procuram fazer, mais o lado “mais fraco alienante” que só busca o sensacionalismo barato vence, entre paródias e pela potencialização das tragédias que são sim televisionadas. O roteiro do filme figurava na Blacklist 2014. A lista é atualizada anualmente e é uma reunião dos melhores roteiros escritos no ano e que não haviam sido produzidos. Por razões de agenda, os atores George Clooney e Julia Roberts pouco se encontraram nas filmagens. A maioria das cenas em que eles contracenam foi gravada usando recursos digitais para realocar o ator na cena final.

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