Por Fabricio Duque
Durante o Festival de Cannes
15 de maio de 2016
Ser independente no meio cinematográfico não significa que o filme seja mal feito e ou preguiçosamente dirigido. Mas o longa-metragem israelense “Me’Ever Laharim Vehagvaot – Beyond The Mountains And Hills” de Eran Kolirin (“The Band’s Visit”), em competição na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2016, pensa exatamente o contrário e se apresenta en uma narrativa anti-naturalista, de ambiência passional e diálogos forçados e teatralizados. Trocando em miúdos, é ruim e representa a grande bomba deste ano. O motivo não é só por ser ingênuo e ou caseiro demais e ou inserir um exacerbado sentimentalismo com temas clichês e e de obviedade perdida. Não. E sim por inserir também uma direção desengonçada e fora de tom, que mais é esquetes musicais soltas e de repetições da estrutura político-comportamental de uma sociedade alienada e moralmente desviada. Aqui é uma radiografia encenada e com de uma família disfuncional com seus segredos e ilegalidades “cúmplices”. O roteiro inicia-se com um poema de David Avidan e com contemplação pseudo manipuladora (até porque não convence na premissa objetivada) querendo ser Roy Anderson. Tenta-se quebrar o classicismo com interrupções interativas a frente da câmera, contudo, o máximo que consegue é de um teatro filmado (com seus olhares caricatos e dramáticos e uma artificialidade dominante). “Sabe qual a diferença entre um lobo e um buldogue? A jaula. O urso morde”, diz-se em uma palestra de auto-ajuda sobre sucesso (e com uma patética trilha-sonora “Forever Young”. Como foi dito, é difícil encontrar alguma salvação a esta obra (“A realidade é complexa”). São gatilhos e mais gatilhos comuns sucessores, tendo o acaso-sorte ao lado deles. Depois de um tempo não se acha mais a “corda” para subir o filme. É ladeira abaixo nesta frágil trama com personagens que são levados a expôr constrangedoramente seus papéis. Festival tem disso. Um dia da caça, outro do caçador. Este foi o do bicho “preguiça”.

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