Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Berlim
18 de fevereiro de 2016

 

“Quand On 17 Ans” integra a cinematografia do diretor francês André Téchiné (de “Les Temps Qui Changent”, “As Testemunhas – Les Témoins”) e a seleção competitiva do Festival de Berlim 2016, abordando o drama de se ter dezessete anos, um confuso período de transição à idade da maturidade “oficial”, com seus medos, anseios, descoberta da identidade sexual, ansiedades, desejos, necessidades, obrigações, tanto dos lados lados do “muro” (o do universo da escola e o dos “adultos”). Esses “pós-adolescentes” vivenciam a pressão das aceleradas e hiperbólicas escolhas e decisões. Talvez quando esta idade acontece na nacionalidade francesa seja melhor, devido à pluralidade comportamental-existencial-social. Talvez não. Tem um ditado popular que diz que só quem nasce na própria cultura, a conhece. Sim. Aqui, a narrativa é contada por três semestres. No primeiro, o estranhamento. Um colega da escola implica com o outro sem motivo aparente. Um visivelmente mais desprovido economicamente (pega o ônibus, mora nas montanhas e se “dedica” levando três horas por dia indo e voltando das aulas). O outro (interpretado pelo excelente ator Kacey Mottet Klein), que sofre o “bullying” tem uma vida confortável, mimado-amado pelos pais e possuidor de um elevado conhecimento acadêmico. O filme cria paralelos antagônicos da família, objetivos, personalidades, defesas, orgulhos, invejas, preconceitos dos dois. Um usa a violência, o outro rebate com a inteligência (mesmo assim aprende boxe para revidar dos “ataques” e resolver os “hormônios” latentes). Daí, temos uma comparação mais polemizada. A mãe do “rico” é humanista, ajuda os pobres e tenta entender e “consertar” o “desafeto” de seu filho. O “vitimado” defende-se com um utópico e ingênuo orgulho ferido, reverberando o argumento de querer exacerbar o sentimento de pena (visto que não aceitou a moradia que o diretor da escola ofereceu – dizendo que era por sua “mãe” – alienada e resignada em “perpetuar” a pobreza; e se acha um “escravo”). No segundo semestre, a aproximação. O tempo ensina a adaptação, aceitação e a perseverança de se conseguir o que realmente se quer. As dicas vão ficando mais explícitas. A caverna, a montanha, os pôsteres da parede de David Bowie, Triggerfinder, C.R.A.Z.Y”, tudo indica a homossexualidade resolvida de um deles que vê no outro o objeto “apaixonado”. Se no início, a estrutura assemelhava-se a Abdellatif Kechiche, do meio ao final, ganha forma novela-romanceada de um livro por exemplo, com seus gatilhos comuns, conflitos resolvidos mais palatáveis, com sua liberdade poética, tudo para conduzir a trama e a “felicidade” dos garotos, descambando ao melodrama óbvio, exagerado, com clichês que incluem chuvas, mudanças opinativas radicais e a camisa “My dream is alive”. Sim. É ingênuo. Talvez todos os filmes gays românticos sejam. E no terceiro semestre, a tão sonhada e esperada “maturidade”. Um filme que busca a realidade da primeiro parte e a fofura libertadora da segunda. Dois filmes. Para dois públicos. Perdendo-se na essência do caminho pretendido, “atirando” com reviravoltas, novos conflitos, e mais uma vez, comportando-se exatamente como os que têm dezessete anos.

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