Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Berlim
15 de Fevereiro de 2016

“Boris Sans Béatrice” tem nacionalidade canadense, integra a competição oficial do Festival de Berlim 2016, e é dirigido por Denis Côté (de “Curling”, “Vic + Flo Viram Um Urso”). Antecipando a conclusão, é um filme sem “pé nem cabeça”, que se perde na própria perdição objetivada. Na trama, Boris, intolerante com atendentes de lojas, que tentam ser simpáticos demais para tentar conseguir mais um nome no cadastro de promoções. Logo, percebemos que o ator que interpreta o protagonista (James Malinovsky) exacerba a encenação de irritabilidade e nas tentativas de criar a espontaneidade da intimidade-cotidiano com o espectador, descortinando vulnerabilidades forçadas. Aqui, há uma artificial aura comportamental quando conversam socialmente. Sua mulher apática-depressiva vive “exilada” (por querer) no campo. Já o marido, mulherengo, não descarta amantes de amantes. A narrativa utiliza-se de todos os gatilhos comuns pretensiosos-ingênuos a fim de construir a história surreal-alegórica-teatral e excêntrico (como o pedido da comida tapioca) de seres mítico-estranhos. A empregada, que fala inglês, também cai nos encantos do patrão. E aí é uma sucessão de acontecimentos que reverberam uma esquizofrenia inexplicável. Quando uma carta anônima é entregue, o mundo dele vira do avesso. O longa-metragem é de um amadorismo incômodo, de surtos patéticos na floresta e exposição de rostos, “pseudo” vanguardista. De uma hora a outra, esportes radicais são disputados e treinados, aparece um teatro grego gay, a mãe que é “obrigada” a amar seu filho, o namorado da amante que tira satisfações, as vinganças, silêncios constrangedores, a culpa que o torna louco e delirante. Há muita linha solta que não se conecta, enraizando reviravoltas sem as concluir. Na coletiva de imprensa, o diretor disse que “estava interessado em um forte personagem que soubesse o preço do trabalho e mostrar o rosto da contemporaneidade de Quebec”, acreditando piamente que seu trabalho é valioso e imprescindível a cinematografia mundial. Não, não é, apenas uma experiência desastrada que prova que nem sempre se consegue transpassar ao papel a autoralidade-conceitual-subjetiva da mente de seu diretor. A pergunta que não quer calar: por que ‘cargas d’água’ este filme está na competição oficial pelo Urso de Ouro. Pena? Na revista diária Screen International, o júri forneceu a a nota mais baixa.

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