Um Filme Essencial da História do Brasil

Por Fabricio Duque

Durante o Festival do Rio 2015

Não há como o espectador sair “imune” após assistir ao documentário “Betinho – A Esperança Equilibrista”, de Victor Lopes (de “Língua – Vidas Em Português”, “Serra Pelada”), sobre a “vida e morte” do “Ministro da Fome”, Herbert de Souza, um “esquerdista cristão” que “lutou” com todas as forças (físicas e políticas) a fim de “melhorar o Brasil”, “erradicar a pobreza e a fome” e “assentar a democracia”. Seu ativismo é mais que político, é “solidário”, cujo “bem fazia sem olhar a quem”. Foi um “santo” de carne de osso. O longa-metragem, indiscutivelmente, emociona sem manipular sentimentalismo, utilizando-se unicamente da carga dramática história envolvida e iniciando pelo “final” (seu enterro e sua “música tema” – “O Bêbado e o Equilibrista”, “um hino da anistia”). Ele, uma “andorinha” que buscava “semelhantes” é “traduzido” por imagens e depoimentos de arquivo. “Vivi uma sucessão infinita de sortes, sobrevivendo à risca”, diz pelo fato de ter “nascido hemofílico – com perspectiva de morte; venceu a tuberculose, venceu a clandestinidade, venceu o exílio e está vencendo à Aids”, que adquiriu por uma “desorganização” e “crime” político. Aqui, conta-se sua “militância pelo catolicismo – o passaporte para o engajamento político” e sua ligação política, tendo como amigos Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Chico Alencar, Brizola e Lula. A narrativa segue as características básicas de gênero, com entrevistas-depoimentos de familiares e amigos, até porque o que mais importa é a temática contextual e não sua forma rebuscada, visto que Betinho objetivava o trabalho de cunho social. Ele foi “vencendo a Aids” com o “remédio que era uma cerveja todo dia”, com o humor inabalável, com a desistência de “cometer suicídio”. Há o “exílio formal” no Chile (“uma espécie de céu”, que lá “escrevia para Allende” e que mesmo assim sofreu a ditadura de Pinochet), que se “despediu de um futuro incerto de guerra popular”. Quando a anistia chegou. Ele “trouxe o Brasil para dentro do Brasil”, criando o Ibase (uma forma de democratizar a informação), as ações da cidadania, como o “Natal Sem Fome”. E nunca perdeu a esperança e nunca “esmoreceu” seu humor, (“era muito engraçado” e altamente com perspicácia sarcástica) sempre se comportando como um “equilibrista”, mesmo com todo sofrimento recorrente, de provas divinas a um homem “santo milagreiro na Terra”. O documentário “mexe” com a nova geração e “sacode” a lembrança dos “veteranos”, principalmente quando finaliza com a frase “Ele fez a parte dele, agora sobrou para nós”. Concluindo, um filme extremamente necessário, obrigatório, de perpetuar as ideias de um “líder”, de uma “pessoa pública” que “arregaçou as mangas”, não se “deu por vencido”, tampouco vitimado e fez. No duelo permanente contra a injustiça e a morte, a saga de Betinho revela um personagem essencial da história do Brasil. Recomendado. Não Perca!

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