Por Fabricio Duque
Festival do Rio 2013

“Quase Samba” é, com as palavras
do diretor, “dedicado a minha mãe, professora da Rede pública”, “simbólico por
ser filho de uma professora” e “uma ruptura que fez mudar o cinema”. O filme,
de “gênero feminino” e de “fábula popular”, é um musical que critica “as
mulheres que sofrem violência”. Filmado no interior de Minas Gerais, Nova
Murie, “minha casa e minha vida”, terra natal do diretor Ricardo Targino, que também disse que
o filme “foi produto de um longo trabalho”, durante a apresentação no Odeon Br,
reverberando um discurso poetizado, prolixo, apaixonado, afetado e encenado ao
efeito dramático. O filme busca transcender “sonhos que começaram a mudar”, com
narração, música, câmera 8mm e uma baiana que roda. A montagem de percepção
amadora procura a observação alheia, como o povo local de um lugarejo. A
linguagem melodramática, afetada, tentando chocar pelo “baixo calão”, soa
pretensiosa e novelesca, até porque tudo é explicado, entre palavrões, drogas,
mensagens “caretas” e expressões como “vagabundo nunca morre”. Cria-se a
caricatura popular de um universo submundo, com improvisações, câmera lenta,
nariz de palhaço e “dança patética”. Não há aprofundamento, buscando a
cumplicidade do espectador em aceitar uma complexidade da superfície, fato que
não há. 
No ultimo mês de gravidez, uma cantora de rádio se vê dividida entre
dois homens que acreditam ser o pai da criança. Um particular duelo de homens:
um miliciano, um hacker e ainda Shirley, o fiel escudeiro da cantora, um
cross-dresser que com ela já cria seu primeiro filho. Sonhos, amor, ciúmes,
vida e morte como cantam as letras das canções.

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