Por Fabricio Duque

Uma das características do
cineasta gaúcho Jorge Furtado é a forma como traduz o erudito em uma versão pop
contemporânea. Utilizando-se da fluidez narrativa, o diretor consegue
transmitir naturalidade ao inserir elementos históricos, referências sarcásticas
e sátiras perspicazes, com estrutura didática, que desperta interesse e
curiosidade de cada um de nós. Em seu mais recente filme, “O Mercado de
Notícias”, um documentário sobre a mídia jornalística, baseado na peça de Benjamin
“Ben” Jonson (dramaturgo, poeta e ator inglês da Renascença,
contemporâneo de Shakespeare), explica-se, mas não em excesso, intercalando
teatro filmado (de propósito artificial), entrevistas com jornalistas
“renomados”, gerando adjetivos contundentes e analisados sobre o jornalismo
brasileiro. “É um filme a favor e não contra o jornalismo”, diz o diretor, que tenta
mostrar os dois lados da moeda, “da transformação geral do jornal”, dos
“biscateiros ‘pau pra toda obra’”, “da multiplicação da informação”, da
“revolução pós-Gutenberg (criador dos primórdios da imprensa)”, da “verdade
factual”, dos que “vê, escuta e conta”, dos que “pegam a informação, a
organizam e dão uma lógica”. Furtado busca compreender a “informação como
mercadoria” e o “discernimento de não esperar demais”, com ou sem “dose de
aposta”. Questiona o “quanto mais coletivo melhor”, o futuro do jornal, a
informação analógica, o “museu de miudezas efêmeras”, Borges, que “tudo é
interpretação” e o blog, que é “individualista e sem microfinanciamento”. A
“plataforma eleitoral” do diretor Jorge Furtado para divulgar seu novo filme contou
com distribuição de santinhos da “Nossa senhora do Perpétuo Espanto”, termo
cunhado pelo jornalista Geneton Moraes Neto, padroeira de sua profissão. 

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