Por Fabricio Duque

Há duas formas de assistir à “Gravidade”, novo filme do diretor mexicano Afonso Cuaron (de “E Sua Mãe Também”, Filhos da Esperança”). Uma pelo viés do entretenimento cinematográfico e a outra pelo desencadeamento do excesso de repetições visuais. Se seguirmos por uma, obteremos o contexto impactante da magnificência. Se por outra, a manipulação pelos gatilhos comuns da narrativa. Uma indica a perfeição fílmica. Já a outra, o tédio apelativo de um gênero de ação. O longa-metragem foi exibido no Festival de Veneza, e colhe frutos por onde passa, tornando-se forte candidato ao Oscar e ao status de Cult. A trama acontece no espaço sideral, por três tripulantes da Nasa (que na verdade são apenas dois – George Clooney e Sandra Bullock), em noventa e nove da porcentagem de toda duração. “Gravidade” gera a tensão iminente e real, iniciando com a calma verborrágica de diálogos quase monólogos para se desenvolver em um “carnaval” de visual gratuito (e pronto, como a beleza panorâmica da Terra), importando-se unicamente com a ação e não o conteúdo. Há inúmeros indicadores aos clichês implícitos (que constroem a emoção – música – e a cumplicidade de quem assiste): a foto da família ao lado de um morto; a “mensagem” à filha; o fogo; o mar; a determinação americana da auto sobrevivência. Mas uma coisa é certa: não se agrada a gregos e troianos. O espectador precisa escolher qual a forma assistir. De uma, a diversão pura e simples da aleivosia para com o público, sacando de mitigações da inferência sutil e bombardeamento de reiterações explicativas (e mastigadas) da história. Um bom programa para toda família. Já na que escolhemos, capta-se a falta de respeito com a inteligência de quem assiste, o susto fácil e o caminho inverso das “prisões” cinematográficas presente no cineasta austríaco Michael Haneke, que diz que “Quando tudo é fácil demais, não há filme a fazer”. Ofertamos ao leitor-espectador-cinéfilo e amigo duas possibilidades, sem censurá-lo. Mas não há como negar a dimensão impactante da odisseia do espaço, principalmente pela utilização da tecnologia 3D. Saudades do David e do Hal. Kubrick, obrigado!

Por Francisco Carbone
Sabe o que passaremos anos ouvindo e discutindo? Comparações entre a aula de cinema que é o ‘2001’ de Kubrick e o novo filme do neo-gênio Alfonso Cuaron. Sem querer discordar de A, B ou C pessoas que insistirem nos paralelos, a verdade é que acho una grande bobagem qualquer forma de colocá-los em paralelas, simplesmente porque em tudo eles são diferentes, propostas, intenções e rumos. Dito isso, fica o básico com o que o cinema lida, o bom cinema: manipular nossas emoções sem que percebamos ou importemos. Nesse sentido, ‘Gravidade’ é espetacular, uma festa para olhos e ouvidos; nesse sentido, e em todos os outros também. Na condição de quem aguardava o filme novo do maravilhoso diretor de ‘Filhos da Esperança’, o filme funciona; pra conferir a quantas anda a capacidade de George Clooney estar sempre nos projetos certos, também; para conferir o melhor trabalho técnico em conjunto de 2013, o filme embasbaca; e pra dar a mão a palmatória sobre que atriz Sandra Bullock decidiu se tornar, o filme impressiona. Deixei de citar algo? Ah sim, deixei: esqueça qualquer papo teórico sobre ‘Gravidade’ (sim, isso vai rolar muito; sim, o triunfo do espírito humano; sim, a vastidão do universo coloca o ser humano em seu devido lugar; sim, na hora H, nossos corações e mentes sempre estarão cada vez mais conectados com nós mesmos, deixando o egoísmo de lado). Um dos grandes filmes de 2013 não precisa te convencer de nada, ele é explícito e safadamente te arremessa numa viagem tão intensa e profunda, que só nos resta esperar ansiosos pela estreia dia 11, em busca de novas sessões desse petardo de som, fúria e alma.

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