Por Fabricio Duque
“Você que ouvir uma história de secretária?”, diz Freda Kelly, que cuidou dos Beatles, tendo uma homenagem na abertura do filme com o trecho de uma gravação radiofônica, quando tem seu nome mencionado. O diretor Ryan White (de “Pelada”) quis mostrar o dia-a-dia desta “funcionária” (que tinha 17 anos e líder dos fan clubes) e as histórias que ela tinha a contar sobre o quarteto de Liverpool (muitos usando e abusando do humor Monty Python como forma de vida). Ela esteve presente antes e depois, durante onze anos (1961 até 1972). “Todos queriam ser Freda Kelly e estar perto dos músicos”, diz-se. Inúmeras cenas de arquivos (vídeos e fotos) constroem a nostalgia para fãs ou não dos Beatles. A narrativa traça a linha temporal pela linearidade histórica, recriando o registro do comportamento social juvenil (histeria) de uma época, influenciada pela pseudo liberdade de ser dos anos sessenta. Freda ainda está secretária, mas quando narra sua história acoplada à banda, vê-se o brilho nos olhos e a risada feliz e sincera por estar “recuperando” um passado e podendo adjetivar cada um dos integrantes da banda em questão aqui (o tímido, o quieto). Viajando um pouco na filosofia barata, A Caverna, o primeiro lugar que tocaram, pode ser uma alusão a Platão. Eles saíram e abriram os olhos de todos. Mais que uma secretária, Freda era uma amiga, que torcia pela sucesso e a narrativa fílmica consegue transpassar esta sinestesia. 

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