Por Fabricio Duque
O diretor Jean-Claude Brisseau (de “Anjos Exterminadores”, “Coisas Secretas”) apresenta seu mais novo filme buscando o gênero da parapsicologia, referenciando a estrutura fílmica de Manoel de Oliveira e Abbas Kiarostami (“Um Alguém Apaixonado”). Talvez, a gravação digital seja um elemento prejudicial à narrativa, porque se comportando de forma amadora, sem o convencimento da técnica cinematográfica crível. É como um teatro realista da ação de se apenas ligar a câmera e bater um papo. Há Freud, Victor Hugo, reencarnação, metafísica da paranormalidade, discurso verborrágico de citações (e ideias) já massificadas pelo consumo social e a tentativa de se transpassar um amor eterno pelo viés do ceticismo. As ações representam uma mensagem que se deseja pulular, utilizando-se do surrealismo real (incompatíveis) e do cotidiano fantasioso (sonho), como o quase atropelamento e ou as facadas assassinas. Incomoda porque o texto cru (sem acabamento) é preterido à embalagem estética, cansando visualmente o espectador. Assim, gera-se a sensação de confusão linear e de um vídeo caseiro perdido nos arquivos pessoais de alguém que é um cineasta. 

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