Por Fabricio Duque

Pode-se assistir ao longa-metragem, de apenas oitenta e três minutos, “Amazônia”, como um filme de ficção (pela fantástica preparação com os animais – quatro macacos-pregos), como um documentário da National Geographic (pelo detalhamento das espécies que vivem na floresta), como um exemplar da tecnologia 3D, como uma experiência do diretor Terrence Malick (pelo existencialismo da epifania visual), como uma prévia digressão em versão tupiniquim de “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, como a transmutação realista da animação “Rio” (não há como negar a referência), de Carlos Saldanha, como o filme de encerramento do Festival de Veneza deste ano e ou pela exibição acalorada do Festival de Toronto, e por último, como a escolha da abertura do Festival do Rio 2013. Sim, é possível visualizar inúmeras formas, mas o querer pretendido não foge ao tema transposto: a metafísica da figura do “estrangeiro”, que “sofre” com o primeiro impacto da mudança, adapta-se, e no final encontra a própria razão de existir. 
O que mais surpreende é a naturalidade interpretativa. A conversa após a sessão com o produtor Fabiano Giullane ajudou a esclarecer o contexto fílmico. O processo levou quatro anos. Um ano de preparação (“Para que os animais se acostumassem com a figura humana – a câmera”) e outros três de filmagens (quatro meses descansando) e muitas dificuldades. O diretor francês Thierry Ragobert (de “O Planeta Branco”), talvez o responsável pelo elemento existencialista e humanizado, já tinha experiência por ter “trabalhado” com ursos polares. Desta vez conta a história de um macaco prego, criado em cativeiro, que é liberado na Floresta Amazônica por causa de um acidente. Seguindo o ponto de vista do animal, o filme revela os mistérios da fauna e da flora da região.
Outro elemento é a trilha sonora (som e música) de Bruno Coulais, que se apresenta como uma ópera etérea de micro visão. A orquestra pontua sem exceder a aparência (por exemplo, “Fantasia”, de Walt Disney). Conjuga sem holofotes, mostrando que o mais importante é a atuação expressiva do macaco, de nome provisório Kong. Se analisarmos a filosofia da mensagem, então detectaremos um estudo antropológico de referência ao ser humano. Por instinto da sobrevivência, o “protagonista” vivencia a experiência da descoberta, conhecendo o novo habitat até encontrar afinidades em semelhantes. 
Por “existir” em cativeiro, suas percepções repetiam a estrutura dos “pensantes”. Ao ser “imposto” no coração de uma selva, medos, ansiedades, receios, ingenuidades, proteções, solidão e tédio são sentidos e superexpostos. O roteiro francês não limitou consequências. Há “drogas” (cogumelos alucinógenos), há sexo (insinuações completas) e há a música (não é rock and roll, e sim clássico regional). Há a diversidade natural (destaque do ser que parece o Gandalf, alguns irão entender de imediato), que causa estranheza e alguns, nojo. Há a crítica social às queimadas. Olhando-se para o contexto, não se percebe o tom didático, até porque não há diálogos em quase noventa e oito porcento do filme. O longa-metragem custou 26 milhões e tem a co-produção com a França. Um filme para ser visto por toda família. 

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