EXPO(R) GODARD

Por Fabricio Duque

Acontece no Oi Futuro do Flamengo, até o dia 07 de julho, a exposição EXPO(R) GODARD. Os curadores, Dominique Païni e Anne Marquez, tentaram traduzir a essência revolucionária do cineasta francês Jean-Luc Godard, que experimentou linguagens e formas narrativas, como a metalinguagem, a interatividade e metáforas sociais. A mostra foca na parte mais contemporânea e experimental, trazendo os trabalhos recentes deste diretor com mais de 50 anos de carreira, a partir de suas colagens (retomado em sua exposição no Centro Nacional de Arte e de Cultura Georges Pompidou, em Paris) e de seus trabalhos em vídeo desde o fim dos anos 1970 até o presente. “Cada obra deve colocar em crise os limites do cinema e esgotar todas as possibilidades”, diz o mestre da Novelle Vague, que complementa em JLG por JLG indicando o “caminho a seguir: não o do homem, mas o das obras”. Godard aparece indiretamente. Na conjunção, o criador inventa para si um corpo burlesco e hierático. Fazendo corpo com as imagens. Podemos conferir o seu ateliê de criação videografixa; novas figuras como câmera lenta, a intermitência pela rápida sucessão de fotogramas sobre diferentes imagens, a superexposição, os efeitos de série, ou ainda a inscrição sobre a imagem. Percebemos também o aspecto de uma escrita em imagens e em sons; e o Roteiro-vídeo, um testemunho de um cineasta em plena atividade da ação e do pensamento. Godard trabalha diretamente com a matéria cinematográfica, expondo suas dúvidas e arrependimentos, a própria vida da criação. Desenvolve a ideia de uma história pessoal do cinema. Seus livros são sua memória e essência. Criando a obra “Histórias do Cinema – Cahiers du cinema” (são 300 –  todas concebidas por JLG, com documentos: roteiros colagens, dossiês de imprensa  – espaços de montagem prolongado ou acompanhando o gesto do filme).Insere também a forma-ensaio, uma maneira de interrogar o cinema, de explorar suas possibilidades, de fazer perguntas e experimentar suas respostas. Godard faz de sua marginalidade a própria condição da criação. Um incansável pesquisador da linguagem cinematográfica em constante mutação. Para o cineasta em questão aqui, é “essencial assistir três vezes o mesmo filme: pelo som, pelas imagens e para se apropriar do conjunto da obra”. A excelente mostra, de “verborragia”, prolixa-prolífica, de opções e materiais ao espectador-visitante, é uma forma de descobrir os trabalhos menos conhecidos e entender uma de suas frases mais indicativas e definidoras, “Faço imagens ao invés de fazer filhos”. Confira!

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