Impressões-Pílulas dos Dois Últimos Filmes da Competição Oficial 
e do Filme de Encerramento do 66º Festival de Cannes 
Por Fabricio Duque
(de Cannes)

O Vertentes do Cinema, a trancos e barrancos, esperas e trens atrasados, conseguiu assistir a todos os filmes da Competição Oficial. Nesta postagem, as “Impressões-Pílulas” dos dois últimos filmes que restaram. Abro um parênteses para expressar o meu favoritismo pelo filme “La Grande Bellezza”, de Paolo Sorrentino, sabendo que o tão maravilhoso “A Vida de Adele” irá ganhar o Grande Prêmio. Quem será o vencedor da Palma de Ouro? Aguarde, hoje ainda o resultado da premiação. 

“La Vênus À La  Fourrure” ou “Venus in Fur”, é o novo filme do diretor polonês Roman Polanski. Como sempre usando o sarcástico característico do liminar entre sutileza e deboche. Baseia-se no livro homônimo e isto é só o começo da viagem narrativa que o diretor faz, abordando sadomasoquismo (comédia – diferenciando-se da Professora de Piano). A coletiva de imprensa foi disputada a dedo, até porque como todo mundo sabe, Polanski não aparece muito em público. O filme estimula o riso pela piada sofisticada, respeitando a inteligência do espectador ao mesclar o clássico, a desestruturação da percepção plastificada e as novidades contemporâneas do comportamento social dentro de um mesmo caldeirão, gerando a naturalidade cotidiana. Acontece, todo ele, em um teatro, mostrando a rua apenas nos créditos iniciais e na última cena. Os atores estão fantásticos (mais ela do que ele, na verdade, já que só há dois atores, conjugando monólogos interativos e individualizados. Se é bom? Bem, como dizem aqui, é o cinema de Polanski. Claro que vale à pena. Trocando em miúdos, é um filme de diálogos verborrágicos, com iluminação do próprio cenário e música quase imperceptível (excelente) de Alexandre Desplat. 
“Only Lovers Left Alive”, de Jim Jarmusch, um cineasta americano extremamente independente e que experimenta ângulos de camera e narrativas, traz a Cannes, a sua versão vampiresca de como é o cotidiano atual de um vampiro. É uma metáfora à crítica de como o mundo de hoje está: chato. E os vampiros precisam conviver com isto porque têm uma longa existência (mas não eterna). É incrível como Jim captura a essência e a projeta na atmosfera do filme, capturando o espectador como um “voyer” e uma possível vítima. A vida deles gira como um disco de vinil e a câmera roda e roda a imagem. Assim, o diretor consegue traduzir perfeitamente o universo dos vampiros, sendo sutil e mostrando aos poucos os hábitos sem o cliché característico dos filmes do gênero. Há deboche, sarcasmo, aprofundamento existencial, cumplicidade interpretativa e uma excelente fotografia. É um filme encantador, que se conta pelo menos a fim de ganhar o mais. 
“Zulu”, de Jerome Salle, é o filme de encerramento do Festival de Cannes 2013. Significa um ótimo exemplo de que primeiros realizadores não tão experientes assim podem ter seus filmes na sessão de Gala. A expressão sarcástica embasa o quão clichê e caricato o filme é. Uma sucessão de gatilhos comuns, interpretações afetadas e uma narrativa pobre, óbvia e previsível em uma estrutura boba, extremamente comercial e apelativa (já que explora a nudez como forma de tentar segurar a atenção do espectador pela futilidade, buscando a facilidade de se assistir a um filme (tudo é explicado em dobro: na imagem e no diálogo); e pela violência exagerada que quer chocar). O resultado não agrada nem um pouco, e é a real bomba do Festival. Troféu Framboesa em todas as categorias. Pergunto-me o porquê da necessidade de um longa-metragem desses estar na sessão de encerramento. 

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