Filmes Vistos do Quinto Ao Nono Dia do Festival de Cannes

Por Fabricio Duque
(de Cannes)

Antes de mais nada, o leitor espectador precisa conhecer e “dominar” a estrutura organizacional do Festival de Cannes. São vários festivais dentro de um mesmo festival. Há a Competição a Palma de Ouro; Un Certain Regard; Hours Compeétition; Séances de Minuit; Séances Spéciales; CineFondation; Semana da Crítica; Semana dos Realizadores; Curtas Metragens; e outras tantas exibições paralelas do Marché Du Film (Mercado do Filme). É completamente impossível a realização de todas estas mostras, até porque os horários são os mesmos. Então, o Vertentes do Cinema está projetando os resultados na Competição Oficial ao Prêmio Máximo, mesmo sabendo da existência dos outros, e que como bom site cinéfilo sabe bem das limitações. Há perdas e ganhos sempre. Escolhas são feitas. A matéria anterior parou no quinto dia. Esta postagem é a continuação das pré críticas “Impressões-Pílulas”.
“Blood Ties”, de Guilhaume Canet. É definitivamente um filme de atores. Não digo pelo fato de serem famosos, mas sim pela competência que “seguram” o filme nas costas em uma direção morna, quase sem atrativos. A história é comum, cliché e recheada de gatilhos comuns. Foi um grande evento aqui. Até a Conference Press foi disputada a dedo. Para que? Ser um filme comercial longo (quase duas horas e meia), querendo ser independente com uma grande quantia de dinheiro investida. Com Zoe Saldana, Mila Kunis, Marion Cotillard, Clive Owen, Billy Crudup, Matthias Schoenaerts, James Caan. 
“Wara No Tate”, de Takashi Miike. Pois é, o diretor está na categoria de “ame (gênio) ou odeie (pretensão)”. É um filme extremamente violento, de cunho comercial hollywoodiano (com distribuição da Warner) e que tenta mesclar o sentimento oriental da análise da existência dentro de tiros, perseguições e explosões a fim de mostrar que o ser humano não muda. A essência boa ou má é definidora natural. “Eu só me arrependo de não ter feito mais”, diz-se no filme. Na exibição do filme à imprensa, após uma cena bem tensa dos elementos de ações, palmas foram batidas, gerando risos cúmplices. Tenta-se agradar a gregos e troianos.
“Un Château en Italie”, de Valeria Bruni-Tedeschi. Pode ser classificado como um filme de paixão ingênua. O querer às vezes não é suficiente, precisa de tempo a fim de trabalhar os elementos cinematográficos. É um filme de amigos e amantes (este último por causa do relacionamento do ator Louis Garrel com a diretora). É como se Valeria acordasse de manhã e resolvesse fazer um filme, ligando para os amigos e no final da tarde, voilá, o filme está pronto. Não há química entre os atores. 
“La Grande Bellezza”, de Paolo Sorrentino. Em um primeiro momento, o filme pode parecer exótico demais e estranho demais. Quando se desenvolve, percebemos a metáfora de fábula realista utilizando-se o recurso da epifania, surrealismo e do exagero colorido. São inúmeras referências fílmicas. Frederico Fellini e seu “8 1/2” é uma delas. É fantasticamente grandioso, maravilhoso e magnífico. Uma obra de arte que representa o universo dos que não querem envelhecer (e que se seguram nas músicas eletrônicas de boates e ou nas cirurgias plásticas). É impossível “proibir” as lágrimas.  PALMA DE OURO!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados