Os Guarda-Chuvas do Amor Cinéfilo

Por Fabricio Duque
(de Cannes)

Uma das observações analíticas que tento entender é sobre a relação temporal. Há uma aceleração do tempo real. Talvez pelo clima frio que estimule a permanência na cama e ou o constante cansaço. Eu não estou passando a noite em Cannes. Um dos motivos é pelo preço exorbitante dos hotéis. Resolvi que a melhor opção seria ficar em Nice e pegar o trem todo dia. Ledo engano. O barato sai caro, sempre. Agora eu sei. Posso pensar pelo lado turístico de conhecer um outro bairro, mas o real objetivo de estar aqui é participar intensamente do Festival de Cannes. Com esta digressão, retorno ao tema anterior sobre o tempo. Trinta minutos aqui não é nada. Não se consegue a programação exata e sistemática. Talvez seja por isso que francês sempre está correndo. O trem também não ajuda, com mudanças constantes no horário. Enfim, preciso esperar a adaptação necessária. É quase impossível realizar todos os quereres pretendidos, se as ações de pegar o último trem às 22:30; chegar às 23:10 no local em que estou hospedado; comer; tomar banho; escrever; dormir; e ainda ter que acordar às 5:30 da manhã para que se consiga sair às 6:30 são tão demoradas. Sim, o tempo é muito rápido. O tempo da piscada é quase o dobro do que temos no Brasil. Dez minutos aí equivalem a quase meia-hora aqui. Então, tento arduamente correr contra estas adversidades: mudando os horários dos filmes, dormindo no trem, mas o cansaço continua. Conversei com uma amiga francesa (de Paris) e ela disse que é assim mesmo: que a fadiga faz parte dos franceses. Talvez por isso fumem tanto e reclamem tanto, expressando a famosa intolerância aos demais próximos.  

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