Por Fabricio Duque


(Durante o Festival de Cannes 2013)

“La Vie d’ Adele”, de Abdellatif Kechiche. Para que o espectador possa degustar melhor o filme em questão aqui, é necessário a leitura do artigo (AQUI) sobre os franceses e seus trens, tentando assim, de forma sinestésica, explicar características referenciais presentes e recorrentes dos atores-personagens. No filme, traduz -se literal e realisticamente o cotidiano de uma adolescente francesa que explora as possibilidades da vida. Já é notório, na carreira do diretor, a percepção da narrativa naturalista.  Mesmo com suas três horas de duração, a película aprisiona e suspende o tempo, não deixando o público ter a sensação da hora passada. Há ‘timing’ certo, fotografia plástica, solar e estonteante, atores competentemente dirigidos, sem gatilhos comuns, clichês, afetações, tampouco a presença de superficialidades. Apresenta-se como uma obra-prima, embalada de momentos íntimos e cenas de sexo lésbico quase explícitas (no final de uma delas, o público bateu palma). Aqui, é normal esses rompantes de exposições sentimentais. “Azul é a Cor Mais Quente” (uma adaptação das histórias em quadrinho de mesmo nome, escritas e desenhadas por Julie Maroh, e publicadas em 2010) foi ovacionado por uns 10 minutos ininterruptos. É fantasticamente esplendoroso, azul, simples sem ser simplista, intimista e se deve muito à atriz principal de nome homônimo (Adèle Exarchopoulos), que “segura” nas costas, de forma incontestável, o filme inteiro. Cada frame é apaixonante. Na saída, “esbarrei” em um padre  e quase perguntei o que ele achou? PALMA DE OURO. 


Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma (Léa Seydoux), sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente.

Complementação Analisada do Lançamento no Rio de Janeiro

O filme foi vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2013, prêmio entregue por Steven Spielberg (presidente do juri).



O diretor Abdellatif Kechiche apresenta-se extremamente simpático com um “Boa Noite” em português na Pré-Estreia (30/11/2013) de “AZUL É A COR MAIS QUENTE” no Odeon. “É um filme para amar. Banalizar o amor gay”, disse. O ator Jérémie Laheurte prefere o comportamento contido e diz pouco. Mas os olhares não se desgrudaram de Adèle Exarchopoulos. Ela pediu para ninguém sair da sessão por causa das cenas “mais picantes”. “É só tampar os olhos com a mão”, disse. No final, a “estrela” (que vivencia exatamente os modos, trejeitos e o humor defensivo da sua personagem – quase como uma adolescente mimada e autocentrada – ao mesmo tempo) trocou os sapatos vermelhos, sentada na escada do Cinema Odeon (próxima ao restaurante), por uma bota longa e preta. O “pai” do filme trocou umas palavras com o Vertentes do Cinema, que sim, rasgou seda, e o agradeceu pelo estilo e sensibilidade única (sim, foi usada esta palavra). E no lado externo do cinema, todos acenderam seus cigarros rumo a festa em Santa Tereza. Confira o vídeo (na íntegra) do evento!

O Diretor. Nascido na Tunísia, Abdellatif Kechiche chegou a Nice com 6 anos e fez curso de teatro no Conservatório de Antibes. Em “A Culpa é de Voltaire” descreve o dia a dia de um imigrante ilegal, entre detenções e encontros amorosos, e revela seu talento de observador cuidadoso, mas também seu lado romântico e seu amor pelos atores (Sami Bouajila e Aure Atika). Suas qualidades lhe rendem o Leão de Ouro de Melhor Filme de Estreia em Veneza, em 2000. Em 2003, ele dirige “A Esquiva”, ensaio sobre as restrições e aberturas causadas pela linguagem, que derruba vários clichês sobre os conjuntos habitacionais. 

Filmografia

2010: Venus Negra 
2008: Sueur (short) 
2007: O Segredo do Grão 
2003: A Esquiva 
2000: La faute à Voltaire 

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